sábado, 8 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Carteiras de Estudantes
Pessoal, as carteiras de estudante do DCE já estão sendo feitas!
Quem quiser pode fazer tanto na sede do DCE que fica no Centro de Convivência do Campus, quanto na sede do CAFAR (Centro Acadêmico de Farmácia Adolpho Ramires) que fica na Faculdade de Farmácia (CCS), logo na entrada principal.
Elas estão custando o valor de R$3,75.
Documentos necessários:
Carteira de estudante antiga (para ver o Registro Único);
Matrícula;
RG.
A foto pode ser tirada na hora ou, para quem tinha feito ano passado no DCE, utiliza a foto do sistema.
ATENÇÃO: Para quem optar fazer no CAFAR, a carteira não será entregue na hora, mas com 5 dias úteis, visto que não foi possível trazer a máquina de impressão de carteiras para o CCS.
Qualquer dúvida, envie um email: camedufrn@gmail.com.
Atenciosamente,
CANECA - Centro Acadêmico Nelson Chaves
Quem quiser pode fazer tanto na sede do DCE que fica no Centro de Convivência do Campus, quanto na sede do CAFAR (Centro Acadêmico de Farmácia Adolpho Ramires) que fica na Faculdade de Farmácia (CCS), logo na entrada principal.
Elas estão custando o valor de R$3,75.
Documentos necessários:
Carteira de estudante antiga (para ver o Registro Único);
Matrícula;
RG.
A foto pode ser tirada na hora ou, para quem tinha feito ano passado no DCE, utiliza a foto do sistema.
ATENÇÃO: Para quem optar fazer no CAFAR, a carteira não será entregue na hora, mas com 5 dias úteis, visto que não foi possível trazer a máquina de impressão de carteiras para o CCS.
Qualquer dúvida, envie um email: camedufrn@gmail.com.
Atenciosamente,
CANECA - Centro Acadêmico Nelson Chaves
terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Dia 14 de abril – Paralisação Nacional!
Está chegando o dia da Paralisação Nacional! Em 14 de abril de 2010 os médicos residentes do Brasil farão uma paralisação de 24 horas e realizarão manifestações que visam dialogar com a população e divulgar as nossas reivindicações:
· Reajuste imediato das bolsas de residência, defasadas em quatro anos
· 13ª bolsa
· Data para reajuste anual
· Ampliação da licença maternidade para seis meses
Essa luta visa conquistar esses direitos, há muito já conquistados por outras categorias.
Todos usarão jaleco com faixa preta amarrada no braço e distribuirão à população uma carta aberta e um cartoon que seguem anexos.
Solicitamos que colham assinaturas para o abaixo-assinado anexo e divulguem o abaixo-assinado virtual: Todos em defesa da residência médica, e do médico residente
Link para carta aos médicos residentes do brasilProjetos de Lei são apresentados na Câmara
Além do Projeto de Lei 6046/2009 que visa instituir uma 13ª bolsa para os médicos residentes, os Projetos de Lei da ampliação da Licença Maternidade para 6 meses (PL 7055/2010) e data de reajuste anual (PL 7064/2010) foram apresentados à Câmara dos Deputados pelo Deputado Federal Arlindo Chinaglia.
Esses projetos foram construídos a partir do das demandas apresentadas pela Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR) e pela Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (AMERESP) desde o lançamento da “Campanha Nacional de valorização da residência médica e do médico residente” no dia 05 de outubro 2009.
Associação Nacional de Médicos Residentes | |
Sede Administrativa: R. Olvidio Pires de Campos, 171, São Paulo - SP, CEP: 05403-010 Diretoria 2010: Gerson Salvador (SP) – Thiago Blanco (DF) – Jetele Seleme (RS) Julio Pereira (MG) – Eder Gatti (SP) – Anderson Milfont (PE) |
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
NOTA AOS ESTUDANTES DA UFRN
OS REAIS MOTIVOS PARA A MUDANÇA DO REGULAMENTO DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO
Natal, 25 de Março de 2010
Hoje a UFRN passa por uma mudança que vem gerando problemas e muita polêmica. As alterações no regulamento dos cursos de graduação dizem respeito principalmente ao trancamento de disciplinas e possibilidades de jubilamento, dificultando aos estudantes, especialmente àqueles que trabalham, sua permanência na universidade.
Contudo, é preciso entender os reais determinantes dessa medida, dentro de um contexto muito maior de mudança no mundo do trabalho. A educação cumpre um papel dentro da sociedade de mercado: prepara a força de trabalho necessária à exploração capitalista de mais-valia. Assim, as reais motivações de mudança do ensino superior brasileiro, no bojo da chamada (contra-)reforma universitária, em que se encontram o PROUNI, a Lei de Inovação Tecnológica e o REUNI, devem ser buscadas na esfera da produção.
A indústria passou nos últimos 40 anos por intensas modificações na sua organização, o que se chama de reestruturação produtiva. O carro-chefe desse processo é o chamada Toyotismo, modelo de organização do trabalho surgido na década de 1950 na Toyota Motor Company (Japão) e que se difundiu durante a crise da década de 1970, substituindo o chamado modelo Taylorista/Fordista.
Basicamente, a idéia fundamental do sistema taylorista/fordista (...) é elevar a especialização das atividades de trabalho a um nível de limitação e simplificação tão extremos que, a partir de um certo momento, o operário torna-se efetivamente “um apêndice da máquina”. (PINTO, 2007)
Essa forma de organização do trabalho baseada na produção em série e em larga escala, em grandes contingentes de trabalhadores super-especializados e semi-qualificados, sempre esteve associada a um baixo nível educacional dos trabalhadores, já que as tarefas estavam reduzidas a uma simplicidade quase pueril (lembrem do Chaplim apertando parafusos em Tempos Modernos). Isso trazia como reflexo no campo da educação superior, especialmente no mundo subdesenvolvido, um formato com sérias restrições ao acesso da classe trabalhadora.
O sistema Toyotista, visando responder à crise do sistema Taylorista/Fordista, apresenta uma série de modificações (cujo detalhamento não cabe aqui), entre elas:
(...) utilização de uma força de trabalho polivalente – agregando em cada trabalhador atividades de execução, controle de qualidade, manutenção, limpeza, operação de vários equipamentos simultaneamente, entre outras responsabilidades. (PINTO, 2007)
É nesse aspecto polivalente do trabalhador que queremos aqui nos deter. Tal aspecto passou a ser necessário devido a uma reformulação no espaço fabril a partir da celularização, ou seja, da organização dos postos de trabalho em conjuntos abertos, as células de produção (em contraposição aos departamentos fechados do fordismo). Nelas uma equipe de trabalhadores pode alternar-se em seus postos conforme as metas exigidas a partir das encomendas, com a presença de um líder responsável por garantir o pleno funcionamento dos postos de trabalho assim como a comunicação entre as células e a administração da empresa.
A celularização substituiu o formato retilíneo dos postos de trabalho em série do Taylorismo/Fordismo por uma configuração semelhante a uma linha sinuosa composta de sucessivas células, conforme ilustra a figura a ao lado.
O Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) intituído pelo Decreto nº 6096, de 24 de abril de 2007, e ao qual aderiu a UFRN, cumpre esse papel de adequação às modificações promovidas pelo Toyotismo. Tem-se uma clara política de reorientação curricular, especialmente em cursos da área tecnológica, com o objetivo de atender ao perfil polivalente requisitado no setor produtivo do Capital, afinado ao modelo Toyotista.
Para tal, propõe a constituição de um ciclo básico cujo objetivo é o fortalecimento das “capacidades de compreensão e de expressão oral e escrita assim como de conceitos de ciências em geral”. A flexibilização dos currículos de graduação parte da constituição deste ciclo inicial de dois anos (estudos universitários gerais) com certificação própria. (ANDES, 2004, destaques nossos).
Na verdade, escondendo-se atrás da propaganda da ampliação de vagas nas universidades (postura de conciliação de classes típica do atual governo federal), esse projetos respondem a uma orientação internacional do chamado Protocolo de Bolonha, pelo qual busca-se uma uniformização da educação superior em âmbito mundial, visando a atender às empresas transnacionais, com braços estendidos sobre diversas nações e que precisam de força de trabalho com qualificação uniforme em quaisquer desses países.
Em conseqüência disso, além do desrespeito às diferenças culturais, tem-se uma formação superior curta e não-profissionalizante (como um “fast-food de diplomas”), que busca gerar uma massa de trabalhadores menos despreparados do que aqueles com apenas o ensino médio, que dominem aspectos mínimos do conhecimento científico, mas que não são de fato engenheiros, nem sociólogos, nem professores, etc, estando à mercê do Capital como um exército industrial de reserva para pressionar para baixo os níveis salariais nos diversos setores. Nesse sentido é que a UFRN abre o chamado Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia.
Fica evidente assim, que a formação massificada de generalistas a partir de uma formação minimalista busca cumprir o papel de fornecer a força de trabalho polivalente requisitada pela atual forma de organização do trabalho, o Toyotismo. A (Contra-)Reforma Universitária, contudo, tem sua perversidade aumentada ao incorporar para dentro da Universidade Pública uma linguagem típica do setor privado, baseado em “produtividade”, “qualidade”, “competitividade”, “flexibilidade”, “gestão” e “gestores”, “eficiência” e “empreendedorismo”. Assim, quanto ao REUNI:
(...) O Programa tem como meta global a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para dezoito, ao final de cinco anos, a contar do início de cada plano.
(...) Redução das taxas de evasão, ocupação de vagas ociosas e aumento de vagas de ingresso, especialmente no período noturno (Decreto nº 6096, de 24 de abril de 2007, que implementa o REUNI)
Eis porque hoje a Reitoria impõe aos estudantes a reformulação do regulamento dos cursos de graduação. Além de atender a uma demanda das grandes empresas transnacionais, o REUNI estabelece na UFRN uma situação de degradação das condições para os estudantes conciliarem seu curso com outras atividades, especialmente o trabalho, através de uma espécie de coação pela qual se é forçado a atender metas colocadas pelo programa, sob o falso argumento de que o trancamento de disciplinas se dá por uma ato deliberado de estudantes que “não querem nada com o curso”. Ou seja, tal medida responsabiliza individualmente o estudante por um quadro determinado pelo nosso modelo de sociedade de mercado, mascarando que a assistência estudantil ampliada e de qualidade seria a real solução para que tais estudantes pudessem concluir seu curso.
Opor-se às mudanças impostas pela reitoria da UFRN é colocar-se contra um modelo educacional que visa meramente atender aos interesses das grandes empresas transnacionais na sua busca insaciável por lucros; é lutar para que nossa educação se volte a atender aos interesses populares, não só de acesso, mas de permanência, numa Universidade de fato pública e de qualidade, voltada para a emancipação humana e transformação social e não para a reprodução dessa sociedade e de seus valores.
Assim convocamos todos e todas a se mobilizarem contra as medidas impostas pela reitoria! Mudanças no regulamento somente se forem favoráveis à classe trabalhadora na Universidade!
Núcleo 23 de Novembro
REFERÊNCIAS:
1) PINTO, Geraldo Augusto. A Organização do trabalho no século 20: Taylorismo, Fordismo, Toyotismo. São Paulo: Ed. Expressão popular, 2007.
2) ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR. A contra-reforma da educação superior: Uma análise do ANDES-SN das principais iniciativas do governo Lula da Silva. Brasília: ANDES, 2004.
Maiores detalhes sobre a questão tratada em www.universidadeelutadeclasses.blogspot.com
terça-feira, 23 de março de 2010
SELEÇÃO PARA TUTOR E MONITOR BOLSISTA DO PET-SAÚDE
As coordenações dos cursos de Medicina, Enfermagem, Odontologia, Farmácia, Nutrição e Fisioterapia estão selecionando monitores bolsistas e tutores para o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). O Programa tem como objetivo promover o avanço da integração educação-trabalho, considerando a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão. Para se inscrever, o aluno deve comparecer a coordenação do respectivo curso. Para maiores esclarecimentos, consulte os editais (para bolsistas monitores ou tutores) disponíveis no endereço: http://www.proex.ufrn.br/categorias/detalhar/30. Saiba mais sobre o programa PET-Saúde no site da Pró-reitoria de Extensão www.proex.ufrn.br.
II Pré-EREM
Olá, pessoal!
Será realizado nesta quarta-feira (24/03), às 18h, na UnP da Salgado Filho o II Pré-EREM. Aqueles que ainda tiverem interesse em integrar a delegação da UFRN ou da UnP para o XVI Encontro Regional dos Estudantes de Medicina em Cajazeiras, no período de 29/04 a 02/05, deverão participar desse momento, já que a inscrição no evento somente é efetivada se a pessoa tiver participado do pré-EREM.
atenciosamente,
CANECA - Centro Acadêmico Nelson Chaves
Será realizado nesta quarta-feira (24/03), às 18h, na UnP da Salgado Filho o II Pré-EREM. Aqueles que ainda tiverem interesse em integrar a delegação da UFRN ou da UnP para o XVI Encontro Regional dos Estudantes de Medicina em Cajazeiras, no período de 29/04 a 02/05, deverão participar desse momento, já que a inscrição no evento somente é efetivada se a pessoa tiver participado do pré-EREM.
atenciosamente,
CANECA - Centro Acadêmico Nelson Chaves
domingo, 21 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
XVI EREM - Encontro Regional dos Estudantes de Medicina
Pessoal, está se aproximando o nosso XVI EREM - Encontro Regional dos Estudantes de Medicina!Será de 29 de abril à 02 de maio, em Cajazeiras/ PB.
Como alguns de vocês já devem conhecer ou mesmo já tenham ouvido por aí, o EREM é um evento da DENEM - Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina, o qual é realizado uma vez ao ano e conta com espaços de cunho político, científico e cultural. No evento como um todo, há debates interessantes sobre nossa futura profissão, além de ser uma ótima oportunidade para conhecermos a realidade de outras escolas dentro de nossa regional (PI, CE, RN, PB, PE).
Para participar do evento, é necessário que você participe do(s) pré-EREM(s), que serão realizados em dia e horário marcado pelo seu Centro Acadêmico. O pré-EREM é um espaço de formação e informação (como assim?), isto é, onde você poderá trabalhar as temáticas que serão abordadas no evento, de modo a não ficar "voando" por lá, além de saber como fazer a inscrição, o que precisará levar, como será o evento etc.
Pois então, o nosso primeiro pré-EREM será dia 18/03, às 17h, na sede do CANECA (4º subsolo do HUOL). Participem! Caso esteja em dúvida se vai ou não, pode ir assim mesmo. O que não pode é você se inscrever no EREM sem participar do pré-EREM.
Em anexo, algumas informaçõezinhas.
Até lá!
--
Centro Acadêmico Nelson Chaves
Medicina UFRN
Gestão 2009-2010 : "Construção"
e-mail: camedufrn@gmail.com
blog: www.blogdocaneca.blogspot.com
Como alguns de vocês já devem conhecer ou mesmo já tenham ouvido por aí, o EREM é um evento da DENEM - Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina, o qual é realizado uma vez ao ano e conta com espaços de cunho político, científico e cultural. No evento como um todo, há debates interessantes sobre nossa futura profissão, além de ser uma ótima oportunidade para conhecermos a realidade de outras escolas dentro de nossa regional (PI, CE, RN, PB, PE).
Para participar do evento, é necessário que você participe do(s) pré-EREM(s), que serão realizados em dia e horário marcado pelo seu Centro Acadêmico. O pré-EREM é um espaço de formação e informação (como assim?), isto é, onde você poderá trabalhar as temáticas que serão abordadas no evento, de modo a não ficar "voando" por lá, além de saber como fazer a inscrição, o que precisará levar, como será o evento etc.
Pois então, o nosso primeiro pré-EREM será dia 18/03, às 17h, na sede do CANECA (4º subsolo do HUOL). Participem! Caso esteja em dúvida se vai ou não, pode ir assim mesmo. O que não pode é você se inscrever no EREM sem participar do pré-EREM.
Em anexo, algumas informaçõezinhas.
Até lá!
--
Centro Acadêmico Nelson Chaves
Medicina UFRN
Gestão 2009-2010 : "Construção"
e-mail: camedufrn@gmail.com
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sábado, 13 de março de 2010
1° Fórum de Dilemas Éticos
Todos os estudantes e professores do curso médico estão convidados a participar do 1° Fórum de Dilemas Éticos, que será coordenado pelo Conselho Regional de Medicina do RN e realizar-se-á no dia 24/03/2010, às 19h30, no auditório do CREMERN, onde será debatido o tema: Exame de Ordem para Médicos Recém-formados - Avaliação da Necessidade e Implantação no Brasil.
sábado, 6 de março de 2010
Jornada Interdisciplinar de Traumatologia do Rio Grande do Norte
A Jornada Interdisciplinar de Traumatologia do Rio Grande do Norte acontecerá em Natal/RN no período de14 a 16 de maio de 2010 no Vila Hall (Hotel Vila do Mar) e abordará temas de destaque na área da Traumatologia, lançando sobre eles um olhar multiprofissional. Haverá palestras de professores convidados, mesas redondas para discussão de temas e apresentação de trabalhos científicos. A jornada contará também com a palestra do medalista paraolímpico Clodialdo Silva.
Trata-se de uma ótima oportunidade para aumentar e atualizar os conhecimentos acerca dos aspectos técnicos, éticos e sociais envolvidos e atinge profissionais e estudantes dos cursos de medicina, enfermagem, fisioterapia, odontologia, educação física, terapia ocupacional, técnicos em enfermagem e socorristas. Será emitido certificado de 20h aos participantes do evento.
Inscrições, Como inscrever seu trabalho científico, Programação, Palestrantes, Contatos e outras informações: http://jornadadetrauma2010.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Doutores em humilhação
Três rapazes agridem um senhor em uma bicicleta com um tapete de carro. A força do impacto leva o homem a se desequilibrar e cair da bicicleta. Excitados pelo impulso sádico, os rapazes teriam gritado "ô, nego". Um grupo de testemunhas denuncia os rapazes à polícia. Eles são presos, o que poderia ser considerado um desfecho justo ao ritual de humilhação racial e de classe. Mas o Centro Universitário Barão de Mauá, no interior de São Paulo, decidiu também expulsá-los do curso. Eles estudavam medicina.
O que há de tão grave nessa história, além da injúria racial e da agressão física a um homem inocente a caminho do trabalho? O fato de os três rapazes estudarem medicina. Esses são desvios inaceitáveis para qualquer cidadão, mas particularmente inquietantes quando seus autores são futuros médicos. Há um espaço simbólico reservado ao
médico em nossa vida social: a ele cabe o conforto, a escuta e o cuidado. Há uma expectativa de acolhimento universal que não distingue cor, idade, sexo ou religião. Um pacto silencioso de confiança é o que nos move ao entrar em um consultório médico: aquela pessoa de branco diante de nós está ali para cuidar de nosso medo da morte.
Dos médicos se espera mais do que o simples cumprimento das regras fundamentais da cidadania: é preciso uma consciência ética sobre o lugar sagrado que socialmente lhes é reservado. Por isso, não pode haver médicos racistas, sexistas ou violentos. As crenças privadas de um médico são simplesmente seus valores sobre o bem viver, o que não lhes confere nenhuma autoridade para julgar ou reprimir moralmente seus pacientes. Um ginecologista, por exemplo, não tem o direito de expressar suas inquietações homofóbicas ao atender uma paciente lésbica, assim como um obstetra de um hospital público, na ausência de colegas que o substituam em um plantão, deve atender uma mulher com autorização para o aborto legal. Esses encontros atualizam a consciência ética que todo médico deve ter ao exercer a medicina.
O homem da bicicleta foi humilhado pelos três rapazes que acreditavam ser divertido agredir ou assustar pessoas a caminho do trabalho. O exercício da humilhação é um instrumento de poder dos fortes e os médicos são indivíduos com poder sobre o corpo vulnerável de um paciente. Mesmo que não estivessem ainda no exercício da medicina, os rapazes testavam os limites das vantagens conferidas pela desigualdade de classe e de raça que contornam nossa vida social. Se um dia vierem a ser médicos e ainda distantes da consciência ética sobre a dor do outro, eles terão outros homens da bicicleta como pacientes e diante deles expressarão semelhante desprezo. Certamente, não mais os agrediriam com um tapete nas costas, mas com a indiferença pelo sofrimento.
Muito se fala na humanização da medicina e das outras profissões de saúde. Essa expressão é uma forma simples de traduzir alguns dos valores fundamentais que devem acompanhar a formação ética dos futuros médicos. Um bom médico não é apenas aquele que se atualiza nas técnicas e conhecimentos sobre sua especialidade, mas é principalmente aquele que se aproxima de seu paciente e é capaz de entender as sutilezas do seu sofrimento. O reconhecimento do papel simbólico do médico está diretamente relacionado ao exercício desses atributos. Por isso, no sentido mais clássico da expressão, um bom médico exercita a nobreza de caráter.
A expulsão do curso de medicina não deve ser entendida como um ato de vingança ou de duplo castigo. Os rapazes foram submetidos a duas ordens de julgamento. A primeira foi penal e resultou na prisão temporária e no pagamento da fiança pela agressão. A segunda foi ética e anuncia um sinal importante dado por aqueles que se preocupam com a formação dos futuros médicos - há valores fundamentais à consciência ética de um médico e um deles é o respeito ao humanismo. A decisão da faculdade em expulsá-los indica que, apesar da intensa mercantilização da medicina, a ética importa para a formação médica.
Há vários desafios éticos na formação das novas gerações de médicos. O modelo brasileiro de saúde pública se vê continuamente ameaçado pela sedução mercantil da medicina dos desejos, como é o caso das cirurgias estéticas. A medicina deve ser uma prática que reconhece a universalidade da condição humana e não simplesmente o poder de consumo de seus pacientes. O medo da morte e as fragilidades que nos acompanham são parte de nossa condição humana compartilhada e desconhecem qualquer diferença que nos situem como trabalhadores negros ou estudantes brancos de uma faculdade privada.
Debora Diniz* - O Estado de S.Paulo
* Antropóloga, professora da Universidade de Brasília e pesquisadoraDebora Diniz* - O Estado de S.Paulo
da Anis: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero
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