segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Somos todos delinqüentes acadêmicos?

Antonio Ozaí da Silva*

Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
(Titãs)

“Como foi que chegamos a departamentos cheios de acadêmicos infantilizados?”
“A sabedoria de hoje diz: não formule grandes questões; não pergunte por que as coisas são como são”
“Gente demais acredita hoje que o trabalho intelectual diz respeito apenas a postos e promoções”
“Enquanto aceitarmos esse sistema, permaneceremos dentro da baleia”[1]
(Lindsay Waters, 2006, p.36, 53, 81 e 83

À guisa de alerta!
Ao contrário do que poderíamos imaginar, o homo academicus é muito suscetível à crítica. No ambiente universitário ardem as chamas das doutas vaidades e a racionalidade dita científica mascara sentimentos mesquinhos. Entre nós, os intelectuais, o narcisismo tende a ser acentuado e talvez isto contribua para compreendermos os melindres observáveis em nosso meio. Vaidade das vaidades![2]
A necessidade de distinção[3] não algo restrito ao egocentrismo individual, mas uma necessidade inerente ao campo acadêmico. [4] Não se trata, portanto, de identificar e condenar os pecadores, mas de analisar os pecados – e todos estamos sujeitos a cometê-los. Estas reflexões, bem claro, não se dirigem nem é uma peça acusatória a qualquer indivíduo em especial. Se a carapuça servir e encontre quem a vista, a culpa não é minha. O objeto, contudo, é o campo acadêmico; o objetivo é analisá-lo numa perspectiva crítica, com a esperança de contribuir para a auto-análise coletiva.
Maurício Tragtenberg
Em 1978, no I Seminário de Educação Brasileira, realizado em Campinas (SP), Maurício Tragtenberg falou sobre a “delinqüência acadêmica”. O jornalista Laerte Ziggiati registrou:
“Porém, no meio de muita discussão teórica, houve um momento em que grande parte do público presente explodiu em aplausos. Foi quando encerrou sua comunicação o professor Maurício Tragtenberg, da Faculdade de Educação da Unicamp e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV). Maurício Tragtenberg, com sua longa experiência, rasgou o verbo e com grande coragem deu um retrato fiel e ao mesmo tempo sombrio da situação crítica da Universidade brasileira.” [5]
Tragtenberg, então, chamava a atenção de que a universidade não é neutra, mas sim uma instituição que expressa interesses e as contradições inerentes à sociedade. A universidade, porém, tende a obscurecer esse caráter pela afirmação da ideologia de um saber aparentemente neutro, que seria “objetivo” e “científico” e estaria acima dos antagonismos sociais. [6] Ele enfatiza o caráter classista da universidade. O saber legitimado no campus não é um saber ingênuo, desprovido da influência das relações de poder. Sua estrutura burocrática e autoritária fortalece a ordem e o poder, influencia o corpo docente e discente e é referência para a práxis no campus. Tanto professores quanto alunos reproduzem-na cotidianamente, dentro e fora da sala de aula.
Na universidade predomina o especialista. Ela produz uma espécie de taylorismo intelectual, com a divisão do conhecimento em disciplinas estanques e a instrumentalização do saber aplicado a fins empresariais e militares. Dessa forma, a universidade submeteu-se à racionalidade capitalista, transformando-se numa instituição tecnocrática. Sua função é formar os que contribuirão para a manutenção da ordem, fundada no despotismo nos locais de trabalho e no controle político e social abrangendo toda a sociedade. Seus institutos de pesquisa,
“cria[m] aqueles que deformam os dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito, forma[m] os aplicadores de legislação de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utilizá-la repressivamente contra os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de um “complô de bela almas” recheadas de títulos acadêmicos, de doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de que espécie for” (TRAGTENBERG, 1990, p.11).
A universidade reproduz os valores predominantes na sociedade pela seleção e transmissão de conhecimentoslegitimados institucionalmente; sua estrutura e pedagogia burocrática contribuem para a formação de indivíduos submissos, servis e desprendidos de qualquer preocupação de crítica social – mesmo nos chamados “cursos críticos”. Em suma, a universidade tende a se desincumbir de qualquer função crítica. Tragtenberg, com ironia, argumenta que quem deseje levar a sério o lema kantiano “Ouse conhecer”, terá que realizá-lo fora do campus: “Se os estudantes procuram conhecer os espíritos audazes de nossa época, é fora da universidade que irão encontrá-los” (Id., p. 13).
Estamos, assim, diante de uma universidade que produz intelectuais sem compromisso ético e social; intelectuais desresponsabilizados diante da realidade social que os cerca, cuja vinculação com o mundo real se dá pelos interesses econômicos e políticos individuais e corporativos. São especialistas voltados para os seus respectivos “feudos”, à cata de financiamentos e recursos materiais que lhes proporcionem status, conforto e as condições para uma boa vida. Não importam as fontes dos recursos e nem as finalidades sociais do conhecimento produzido, mas sim conseguí-los. Muitas vezes, tais práticas são encobertas pela retórica do “público”. “Em nome do “serviço à comunidade”, a intelectualidade se tornou cúmplice do genocídio, espionagem, engano e todo tipo de corrupção dominante, quando domina a “razão de Estado” em detrimento do povo”, enfatizou Tragtenberg. (Id., p.14-15).
Na disputa dos interesses individuais e corporativos, camuflados sob o discurso da “universidade pública”, “interesse público”, “bem-comum”, etc., os fins justificam os meios. Prevalece “a política de “panelas acadêmicas” de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto qualquer”, os quais “se constituem no metro para medir o sucesso universitário”. Neste universo, “a maioria dos congressos acadêmicos serve de “mercado humano”, onde entram em contato pessoas e cargos acadêmicos a serem preenchidos, parecidos aos encontros entre gerentes de hotel, em que se trocam informações sobre inovações técnicas, revê-se velhos amigos e se estabelecem contatos comerciais” (Id., p. 15). Eis a delinqüência acadêmica!
Entre a resistência e a adaptação
“Mesmo os intelectuais que são membros vitalícios de uma sociedade podem, por assim dizer, ser divididos em conformados e inconformados. De um lado, há os que pertencem plenamente à sociedade tal como ela é, que crescem nela sem um sentimento esmagador de discordância ou incongruência e que podem ser chamados de consonantes: os que sempre dizem “sim”; e, de outro, os dissonantes, indivíduos em conflito com sua sociedade e, em conseqüência,inconformados e exilados no que se refere aos privilégios, ao poder e às honrarias. O modelo do percurso do intelectual inconformado é mais bem exemplificado na condição de exilado, no fato de nunca se encontrar plenamente adaptado, sentindo-se sempre fora do mundo familiar e da ladainha dos nativos, por assim dizer, predisposto a evitar e até mesmo a ver com maus olhos as armadilhas da acomodação e do bem-estar nacional. Para o intelectual,o exílio nesse sentido metafísico é o desassossego, o movimento, a condição de estar sempre irrequieto e causar inquietação nos outros” (SAID, 2005, p.60, grifos nosso).
O modus vivendi do homo academicus pressiona constantemente para a adaptação. Ainda que tenha consciência crítica do campo acadêmico, são várias as armadilhas presentes no cotidiano. Na verdade, as exigências administrativas, burocráticas e acadêmicas impõem práticas e discursos legitimadores que nos cercam por todos os lados. Estamos sujeitos à lógica da concorrência: somos assalariados, submetidos a regras e normas burocráticas que regem o nosso dia-a-dia. Se, por exemplo, queremos passar de um nível para outro na escala da carreira, devemos apresentar a produção no período e somar o número de pontos exigidos. Se menosprezarmos esse procedimento, teremos prejuízos financeiros acumulados.
A necessidade de “pontuar” transforma a vida acadêmica numa espécie de contabilidade, na qual tudo o que fazemos é quantificado. Portanto, torna-se mais importante somar pontos do que a atividade em si. Publicar um artigo passa a ser muito mais uma necessidade administrativa, na medida em que vale “x” pontos para subir na carreira. A produtividade pressupõe quantidade. Assim, não importa se tem qualidade, a tiragem e onde foi publicado, menos ainda se será lido, mas sim se quem publicou tem os requisitos exigidos para que seja pontuado.[7] Este tipo de pressão favorece práticas nada condizentes com o que se espera de um ponto de vista ético.
Como salienta Waters (2006, p.12), “há um elo causal entre a demanda corporativa pelo aumento da produtividade e o esvaziamento, em todas as publicações, de qualquer significação que não seja gerar números”. A linha de montagem fordista-taylorista acadêmica produz coisas sem sentido, cujo principal objetivo é simplesmente atender à demanda por mais e mais “artigos”, “livros”, etc., dos organismos governamentais e privados que injetam dinheiro nas artérias da universidade. A ânsia por se agraciado pela oferta do “deus Estado” ou o “deus mercado”, contribui para a cultura produtivista. Nestas circunstâncias, “o produto é tudo que conta, não sua recepção, não o uso humano. Isso é produção apenas com o valor de um fim em si mesmo e praticamente mais nenhum outro” (Id., p. 42).
A pressão é ainda maior quando se tem em vista as exigências dos órgãos superiores em relação à pós-graduação. Aqui, trata-se da própria sobrevivência dos programas e do status proporcionado pelos vínculos aos mesmos. A necessidade de publicar e de apresentar produtividade, a qualquer preço, é ainda maior. Não é por acaso que nas ciências humanas adota-se uma prática muito comum em outras áreas, a qual consiste em aparecer como co-autor nos artigos dos orientandos. Muitas vezes, a co-autoria não se justifica e uma simples nota de agradecimento no rodapé faria justiça ao orientador, mas isso não conta ponto.[8] Em nome da sobrevivência do programa, e das necessidades docentes, entra-se no reino do vale tudo. Se, por exemplo, reprovar um pós-graduando pode prejudicar a avaliação do programa, então devemos aprová-lo, ainda que nada o justifique. Se você deseja participar tem que jogar o jogo, aceitar as regras e exigências. Há a opção de não participar, mas esta acarreta ônus (como não ter qualquer possibilidade de influência sobre as decisões e na escolha dos candidatos).
Em todas as áreas, a influência dos organismos superiores é determinante. Se você quer ter a mínima chance de ser agraciado com recursos, vencer um edital, etc., deve se submeter. E não basta ser submisso, tem que provar que está à altura do seu gesto, isto é, deve se enquadrar e corresponder às exigências de produtividade. O critério é mercadológico: ganha quem “produziu” mais, não importa a qualidade do que foi “produzido”. A injeção de recursos público e privado, num montante talvez sem precedentes, acirra a pressão para que os concorrentes se “qualifiquem” para conquistá-los. Criam-se diferenciações internas, hierarquias mantidas por recursos externos. Os agraciados terão melhores condições para incorporar alunos a seus projetos e de influenciá-los. Poderão manter a clientela e o fato de terem conquistado esta posição fortalece o status de vencedores. Não faltarão “mariposas” a rondar a luz que irradiam.
O crítico, se alguém ousar fazer esse papel, corre o risco de ser tachado de invejoso e ressentido, sem que se atente para o simples fato de que não aceitou jogar o jogo[9], isto é, fazer parte da concorrência. No mercado universitário, quem não se adapta está condenado a viver apenas do seu próprio salário e a não ter recursos, ainda que tenha projetos merecedores. Claro, a culpa é dele próprio. Os editais e as oportunidades são para todos e ninguém é culpado por ele não disputar. Se não está apto para a concorrência, problema dele. Será lembrado quando se tratar de atividades que não têm remuneração extra. E se alguém lhe oferece algo que envolva ganho extra e ele recusa em nome de princípios, será, na hipótese condescendente, considerado ingênuo ou chamado ironicamente de “franciscano” dos tempos modernos. Deve ser algum problema psicológico que a filosofia tomista explica, ou simplesmente bobeira.
Cada vez mais as relações na universidade são intermediadas pelas leis do mercado. Os projetos para os pobres, movimentos sociais, etc., tornam-se formas de ganhar dinheiro. Os governos, estadual e federal, injetam recursos que geram resultados duvidosos e paliativos para os que, em tese, são os destinatários. É preciso conhecer o “caminho das pedras”, saber onde estão e disputar as verbas (é preciso até mesmo reuniões que orientem, em nome da “competência” e “excelência” da instituição).[10] “Ser solidário”, “cumprir uma função social”, “engajar-se”, virou meio de vida (e com a aura de “militância intelectual”).
A estrutura universitária é irrigada com uma fonte que também representa renda extra. Isso é feito de maneira legal, com a aprovação e complacência dos departamentos e outros níveis decisórios no campus. Estabelece-se o pacto, tácito ou explícito, pelo qual “A”  não cria problemas para a aprovação do projeto de “B” e vice-versa. E não importa como são articulados e manipulados os procedimentos para sua aprovação. Estamos no reino do vale tudo!
A universidade pública é assediada permanentemente por práticas e ideologia mercantis. Tudo se torna mercadoria. A docência por vocação, o amor ao conhecimento e o desprendimento dão lugar ao interesse egoísta enquanto fator direcionador da práxis acadêmica.[11] Predomina a “caça ao tesouro” e deve-se afastar tudo o que atrapalha sua conquista. Os fins que deveriam pautar a ação política-pedagógica e crítica da universidade tornam-se meios para atingir os objetivos particulares e/ou setoriais. O discurso da “universidade pública” torna-se estratégia para efetivá-los. A universidade aparece, então, como um grande bolo em constante disputa entre os grupos que se organizam para abocanhar os melhores pedaços. Quem pode mais, come mais! Dessa forma, os cargos e controle de espaços são fundamentais, em especial aqueles que, por sua natureza, controlam outros cargos a serem preenchidos pelos amigos e pessoas de confiança.
Até mesmo a criação de departamentos, cuja necessidade é duvidosa, se insere nessa lógica. Cada departamento criado gera mais cargos e uma estrutura que consome recursos sociais. Se não houvesse os recursos injetados nesta estrutura, provavelmente nada funcionaria. Quem quer ser chefe, coordenador, diretor, pró-reitor, reitor, etc., sem ganhar nada mais do que o seu salário como servidor? Afinal, desempenham funções importantes e são eleitos para tal. O problema é que quem paga a conta não são eles nem seus eleitores, mas a sociedade. Os defensores da “universidade pública” precisam ser remunerados para defendê-la. Não se trata de culpabilizar, é apenas a lógica do sistema. O óleo que lubrifica suas engrenagens é a moeda, e também o status e as facilidades que se tem ao se ocupar determinadas funções. Você tem a opção de participar ou não, com o bônus ou o ônus inerente à sua decisão.
Na universidade pública cobram-se taxas explícitas e implícitas. Artifícios da norma legal são utilizados para manter cursos de pós-graduação. Tudo dentro da mais perfeita ordem! E quem será insano a ponto de questionar a legalidade de práticas presentes em setores hierarquicamente poderosos na estrutura universitária? Quem terá a ousadia de afirmar que o lícito não é necessariamente ético? No “cemitério dos vivos” o questionamento dá lugar à vista grossa e à acomodação de interesses. E, afinal, na luta política é preciso manter as portas abertas para possíveis alianças à época das eleições internas.
Neste ambiente, a crítica e a resistência são formas de adaptação. Os “heróis da resistência” podem até manter o discurso crítico e radical, mas terminam por se acomodarem e se conformarem. Os sinceros vivem entre a angústia da observância dos princípios éticos e a negação destes, impostas pelas necessidades práticas e imediatas. Como o Dr. Johannes Georg Faust, personagem da obra de Goethe, devem obedecer ao pacto feito com o demoniáco Mefistófeles.
Ainda sobre o Lattes [12]
Talvez o Lattes seja a melhor expressão do mercado acadêmico em que se tornou a universidade pública. O Lattes tornou-se uma espécie de instituição avalizadora do status acadêmico e foi praticamente sacralizado enquanto referência para decisões que podem afetar a vida docente e discente. Se você não tem Lattes, simplesmente não existe. E não adianta apenas tê-lo, é preciso atualizá-lo. O que está no Lattes é tomado como verdadeiro, e ponto! Não consta do Lattes, não existe![13] Eis como nos forçam à adaptação.
Mas é possível resistir. Há imperativos que não temos como fugir, mas também não precisamos vender a alma àquele cujo nome não deve ser pronunciado. Em outras palavras, nos limites estabelecidos ainda somos senhores das nossas ações. Publicar a qualquer preço, render-se ao “produtivismo” e utilizar-se do vale tudo para “enriquecer o Lattes”, pode até gerar resultados que impressionem e nos deixem bem “qualificados” para disputar editais e outras coisas, mas certamente não é ético. A verdade é que as exigências éticas que fazemos aos outros (por exemplo, aos políticos) nem sempre são lembradas quando se trata dos nossos interesses particulares (ainda que travestidos de “interesse público”). Um dos maiores desafios que temos enquanto ser (es) humano (s) é conseguir manter a coerência entre o discurso e a prática. Nenhum de nós está livre de cair em contradição.
Os organismos financiadores e controladores ditam as regras e determinam o que é importante. Somos induzidos à adaptação acrítica, sem questionamento do como e de quem são os que decidem e direcionam os rumos do campo acadêmico. As práticas de mútuo favorecimento, clientelismo são fortalecidas pela necessidade de publicar, de somar pontos, “enriquecer o Lattes” e aumentar a “folha corrida”. Estabelecem-se relações de conveniências, pactos de hipocrisias que resguardam interesses recíprocos.
A pressão do Lattes influencia o mercado editorial acadêmico e até estimula plágios, comércio de trabalhos acadêmicos, etc. Hierarquiza-se a produção entre os que têm e os que não têm os recursos para financiar a publicação. Há até revistas que cobram para publicar e isto é visto por muitos como normal e natural. Se você tem money e pode pagar a edição do seu livro, não terá maiores dificuldades em conseguir a chancela de uma editora universitária ou mesmo privada. Há editoras cujo filão consiste basicamente em publicar textos acadêmicos, desde que os autores consigam financiamento. É capitalismo sem risco. Com injeção de dinheiro público, lucra-se antes e depois. E ainda garante-se a felicidade do autor e o seu Lattes.
Diante desta realidade, por que não investir na própria publicação? Livros publicados pelo próprio autor não é quantificado como qualquer outro? Por que submeter-se ao mercado editorial se podemos organizar nossa própria editora e publicarmos? Cooperativas de autores não são novidades, como também não é nova a prática de cotizar-se para financiar a publicação. Em determinadas circunstâncias até pode ser considerado desejável. O problema é quando o objetivo deixa de ser divulgar textos, idéias e trabalhos que não têm espaço no mercado editorial universitário e nas editoras privadas e passa a ser simplesmente “fazer o Lattes”, “somar pontos”, ser produtivo e ganhar a concorrência dos editais.
Aos que não têm como financiar seus trabalhos resta trilhar a via sacra e esperar até que, se tiver sorte, surja a oportunidade. Em tese, poderá publicar numa editora acadêmica, mas deve ter a paciência para esperar os trâmites burocráticos, os quais podem demorar meses e anos. Há a chance de ver seu livro publicado e deve agradecer aos céus por isso, mas será bem mais rápido e fácil se tiver o dinheiro.
A pressão pela publicação tem o efeito “positivo” de estimular a criatividade e “solidariedade” entre os indivíduos. Organizamo-nos para publicar uma obra, pois sabemos o quanto isso é importante para o coletivo. Pode ocorrer que o coletivo seja prejudicado devido à baixa produtividade dos docentes, com o risco de não ter recursos necessários para os projetos, que a pós-graduação seja inviabilizada e que os alunos não tenham a chance de aprovar seus projetos de pesquisa. Nosso Lattes precisa ser “enriquecido” em prol da coletividade; precisamos mostrar produtividade. Organizemos, então, uma obra com artigos de todos – não importa sobre o quê, nem se será lido. Melhor ainda se tivermos verba para publicar e garantir a chancela da editora.
Efeitos e conseqüências
“O problema é a insistência na produtividade, sem a menor preocupação com a recepção do trabalho. Perdeu-se o equilíbrio entre esses dois elementos – a produção e a recepção” (WATERS, 2006, p. 25).
Os efeitos dessa “corrida maluca” pela produtividade são nefastos e influenciam o cotidiano acadêmico desde a graduação. Logo cedo, os graduandos aprendem a jogar o jogo e percebem a importância de “encostar” na pessoa certa, aquela que abrirá as portas para um possível mestrado.[14] Por experiência concluem que o mais importante não é necessariamente o projeto de pesquisa ou o saber, mas sim conquistar a “proteção” dos mais “produtivos”, os que têm o Lattes mais extenso e que ocupam postos chaves no mundo acadêmico. Percebem que para se dar bem na carreira acadêmica precisam aceitar certas práticas e relações nem sempre justas e éticas.
O clientelismo caminha de mãos dadas com a bajulação, a adaptação e a submissão acrítica à linha teórica e ideológica do “protetor”. Em lugar de favorecer a autonomia do educando, investe-se na subordinação, na formação de séquitos e de discípulos dispostos a defender a verdade do mestre, mas incapazes de pensar pela própria cabeça. [15] E nem é preciso ser bom aluno, basta apenas se dar bem com o professor “X”, ainda que reprove ou se saia mal em outras disciplinas.
Este é também um jogo de mútuas vaidades. Os neófitos miram-se nos exemplos que têm diante de si, aprendem a serem servis e tornam-se catedráticos na arte da dissimulação. O servilismo tende a se aprofundar na medida em que aumenta a concorrência para ingressar na pós-graduação e é reproduzida nesta.
Pressionados pela exigência de mais e mais produtividade, os docentes reproduzem o servilismo na relação com os órgãos superiores. Mutilam-se para atender as normas e regras burocráticas decididas por um grupo seleto de indivíduos, os quais agem como deuses no Olimpo, cujas decisões são imperativas e moldam a prática cotidiana da maioria. Esta se submete. A perda do senso crítico e submissão à ordem acadêmica talvez representem o efeito mais infausto e preocupante.
As diretrizes emanadas dos órgãos superiores, e acatadas incondicionalmente no campus, favorecem o intelectual especialista. Valoriza-se o saber burocratizado, disciplinado, prisioneiro de fórmulas e padrões tidos como sinônimo do caráter científico. A forma passa a ser mais importante que o conteúdo. O discurso da transdisciplinaridade e multidisciplinaridade, tão em moda por certo período, não suplanta práticas fundadas na especialização. Os próprios critérios de avaliação desses organismos pressupõem consistência na área de pesquisa, ou seja, a constatação de que os pesquisadores se atêm aos mesmos “objetos”, por anos, décadas...
Ao anuir com os critérios positivistas da medição matemática do saber, como se este pudesse ser verdadeiramente mensurado, numa clara rendição às áreas do conhecimento acadêmico que priorizam a quantificação e também aos princípios mercadológicos cada vez mais influentes no campus, acentua-se o “produtivismo”. Na medida em que se prioriza a quantidade, compromete-se a qualidade do que é publicado. Claro, há muitos interesses a defender e é melhor não colocá-los em risco. Prevalece a mentalidade burocrática e conformista. É como se dissessem implicitamente que devemos “provar que não somos mentes independentes, que nos submetemos às regras e aos objetivos da alta produtividade”, escreve Lindsay Waters (Id., p. 87). A mediocridade caminha de mãos dadas com o conformismo.
O resultado é um ambiente acadêmico cada vez mais estressante e deprimente, povoado por indivíduos conformistas e apegados a interesses particulares e mesquinhos, fechados em feudos e lançados numa corrida desenfreada para conquistar posições, status e recursos materiais. O sonho dourado do sucesso, do reconhecimento dos pares, passa pela aceitação sem resistência ou questionamento da ideologia produtivista. A “Casa de Salomão” imaginada por Francis Bacon tem mais o aspecto de um imenso “cemitério dos vivos”.
Concluindo...
Passaram-se cerca de três décadas. Será que a situação denunciada por Maurício Tragtenberg foi superada?[16] Claro, as circunstâncias são outras, a sociedade e a universidade passaram por mutações. Parece-me, entretanto, que as observações de Maurício Tragtenberg permanecem atuais. Mesmo no nível puramente empírico é possível notar situações e atitudes que demonstram a permanência e intensificação dos aspectos que ele identificou como próprios da delinqüência acadêmica. Persistem práticas e atitudes delinqüentes e com o agravante de que parecem naturalizadas e aceitas como necessárias e “normais”. Perde-se a capacidade de escandalizar-se e encontram-se argumentos racionais para legitimá-las.
Não é fácil resistir à pressão pela adaptação. Vivemos a contradição da obediência à autoridade racional burocrática, às exigências inerentes à sobrevivência pessoal e acadêmica e, simultaneamente, a consciência da necessidade de negar e criticar o campo do qual somos partes. Eis o paradoxo do intelectual que, apesar de tudo, insiste em não se submeter. Nesses momentos, devemos nos mirar no exemplo de intelectuais como Tragtenberg, Bourdieu e Edward W. Said, entre outros, que mostraram a possibilidade de sobrevivermos sem fazer o sacrifício do espírito crítico e da liberdade, ainda que saibamos dos limites e dificuldades. Como escreveu Said (1993, p. 90):
“Em outras palavras, o intelectual propriamente dito não é um funcionário, nem um empregado inteiramente comprometido com os objetivos políticos de um governo, de uma grande corporação ou mesmo de uma associação de profissionais que compartilhem uma opinião comum. Em tais situações as tentações de bloquear o sentido moral, de pensar apenas do ponto de vista da especialização ou de reduzir o ceticismo em prol do conformismo são muito grandes para serem confiáveis. Muitos intelectuais sucumbem por completo a essas tentações e, até certo ponto, todos nós. Ninguém é totalmente auto-suficiente, nem mesmo o mais livre dos espíritos” (grifos nosso).
A exigência da adaptação é forte. Os inadaptados são vistos como um tipo em extinção. No reino do vale tudo na competição por prestígio e vantagens materiais e financeiras, a recusa só pode ser caracterizada como ingenuidade própria dos tolos. Não advogo o auto-isolamento ou uma atitude do tipo “ludista”, mas sim a necessidade de manter a lucidez e usar os meios que a própria universidade oferece, e o nosso trabalho intelectual, para combater o poder e as ilusões dos conformistas. O sentido da vida, e do viver, é mais profundo do que as fúteis vaidades e sonhos consumistas que acalentamos. É preciso tirar o véu que encobre a realidade e resistir aos devaneios de uma existência vazia de significados. É possível ser e agir diferente; é necessário resistir aos “inimigos da esperança”!

Referências
BOURDIEU, P. (1974) A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Editora Perspectiva.
__________. (2000) O Poder Simbólico. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil.
__________. (2004) Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Editora UNESP.
FROMM, E. (1977) TER ou SER?! Rio de Janeiro: Zahar Editores.
ORWELL, G. (2005) Dentro da baleia e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras.
SAID, E. W. (2005) Representação do Intelectual: as Conferências Reiht de 1993. São Paulo: Companhia das Letras.
TRAGTENBERG, M. Sobre Educação, Política e Sindicalismo. São Paulo: Editores Associados; Cortez, 1990, 2ª ed. (Coleção Teoria e Práticas Sociais, vol 1).
VICENTE, F. G. D. “Latindo atrás do Lattes”. REA, nº 73, junho de 2007, disponível emhttp://www.espacoacademico.com.br/073/73vieira.htm
WATERS, L. (2006) Inimigos da esperança: publicar, perecer e o eclipse da erudição. São Paulo: Editora da Unesp.
WEBER, M. (1993) Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Editora Cultrix.
ZIGGIATI, L. “A delinqüência acadêmica”. Folha de S. Paulo, Folhetim, 03.12.1978. Disponível emhttp://www.espacoacademico.com.br/007/07trag_delinquencia.htm

 

* Docente na Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Ciências Sociais.
[1] “As entranhas da baleia”, escreve George Orwell, “são apenas um útero grande o suficiente para conter um adulto. Lá ficamos, no espaço almofadado e escuro em que nos encaixamos perfeitamente, com metros de gordura entre nós e a realidade, capazes de manter uma atitude da mais completa indiferença, não importa o queaconteça” (2005, p. 135).
[2] Este aspecto me chamou a atenção desde a época em que era graduando, observando meus professores e professoras e outros seres que habitam o campus. A atuação na docência universitária confirmou minhas impressões. Não que a vaidade seja inerente e restrita ao ambiente acadêmico! A vaidade é própria do humano e todos somos, em maior ou menor intensidade, vaidosos. Porém, como afirma Max Weber (1993, p.107): “Nos meios científicos e universitários, ela chega a constituir-se numa espécie de moléstia profissional”. A vaidade pode até mesmo desempenhar um papel positivo, mas, a partir de determinados parâmetros, como no mito de narciso, torna-se patologia e envenena as relações humanas. Ver: Óleo de Lorenzo e Patch Adams: a arrogância titulada, REA, nº 28, setembro de 2003; Aqui jaz fulano de tal... e a sua superioridade!, REA, nº 30, novembro de 2003; Sobre a vaidade no campo acadêmico, REA, nº 45, fevereiro de 2005; Educação, opção política e preconceito acadêmico, REA, nº 66, novembro de 2006.
[3] É o que Pierre Bourdieu (1974, p. 109) chamou de lei da dialética da distinção. Devido à maneira como funciona o campo intelectual, os intelectuais, necessariamente, perseguem a distinção. Para ele, isto não constitui um defeito pessoal, um “vício da natureza” humana egoísta. Bourdieu observa que a mesma lei que impele o intelectual a perseguir a distinção “impõe também os limites no interior dos quais tal busca pode exercer legitimamente sua ação”.
[4] “Todo campo (...) é um campo de forças e um campo de lutas para conservar ou transformar esse campo de forças” (BOURDIEU, 2004, p. 22-23).
[5] Ver a entrevista publicada originalmente no Folhetim, Folha de S. Paulo, 03.12.1978 e, também, disponível emhttp://www.espacoacademico.com.br/007/07trag_delinquencia.htm
[6] Num texto apresentado no Seminário de Reitores, realizado em João Pessoa (PB), em 1978, Tragtenberg afirma: “A universidade é uma instituição dominante, além disso, ligada à dominação. Até hoje a universidade brasileira formou assessores de tiranos, é o antipovo. Criada para produzir conhecimento, ela se preocupa mais em controlá-lo” (TRAGTENBERG, 1990, p.55).
[7] Por exemplo, um livro publicado por uma editora universitária, com uma tiragem de cerca de 500 exemplares, é reconhecido pelos critérios formais burocráticos e vale muito na contagem para a ascensão na carreira universitária. Outro livro, com tiragem de 15 mil, mas que, por ignorância do autor, tenha sido publicado por uma editora sem os pré-requisitos exigidos, não conta nada e não tem valor acadêmico algum. E estamos supondo que ambos sejam comercializados e que não encalhem, isto é, que tenham leitores interessados em adquiri-los e lê-los.
[8] A Revista Urutágua tem mostrado que essa prática é, no mínimo, problemática. Adotamos como critério a não aceitação de co-autoria e os artigos são devolvidos aos autores. Estes, geralmente orientandos e orientadores, conversam e se acertam. O artigo é, então, reenviado e de acordo com os nossos critérios, isto é, com apenas um autor.
[9] Bourdieu (2000, p.85), ensina que não jogar o jogo é o mesmo que decretar a própria 'morte social'. ("A única liberdade absoluta que o jogo concede é a liberdade de sair do jogo por meio de uma renúncia heróica a qual, a não ser que crie outro jogo, não obtém a ataraxia senão à custa daquilo que é, do ponto de vista do jogo e daillusio, uma morte social", escreve ele).
[10] Ver “Apologia da competência e a defesa da universidade pública”, publicado na REA, nº 14, julho de 2002.
[11] Prevalece o modo TER em detrimento do SER. Como esclarece Eric Fromm (1977, p. 96): “Ter refere-se a coisas, e as coisas são determinadas e definíveis. Ser refere-se à experiência humana, e a experiência humana, em princípio, não é definível”. E, mais adiante: “O modo Ser tem como requisito a independência, a liberdade e a presença de razão crítica. Sua característica fundamental é ser ativo, não no sentido de atividade externa, de estar atarefado, mas no sentido de atividade íntima, de emprego criativo dos poderes humanos” (Id., p. 97).
[12] Escrevi sobre este tema na REA, nº 46, marco de 2005. Ver “A corrida pelo Lattes”. Sugiro também a leitura do artigo “Latindo atrás do Lattes”, publicado por Francisco Giovanni David Vieira na REA, nº 73, junho de 2007, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/073/73vieira.htm
[13] Recentemente, por exemplo, fui avaliado como possível orientador para o PIBIC e reprovado. Justificativa: Lattes desatualizado (ainda que houvesse enviado, segundo formulário interno, a relação solicitada da “produção intelectual”).
[14] É preciso considerar o contexto em que ocorre este intercâmbio. A racionalidade instrumental que impulsiona docentes e discentes faz parecer que a troca é entre iguais e que é justa. Ver “A corrida pelo Lattes”, já citado.
[15] Bem diferente das experiências que tive com os meus orientadores, os quais respeitaram e investiram na autonomia e crescimento humano e intelectual. Ver “Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária: anotações sobre a experiência do fazer a tese”, REA, nº maio de 2004, disponível emhttp://www.espacoacademico.com.br/036/36pol.htm
[16] Sugiro aos interessados a leitura na íntegra do texto de Maurício Tragtenberg, disponível na edição citada na bibliografia, na reedição pela Editora Unesp (2004) e também emhttp://www.espacoacademico.com.br/014/14mtrag1990.htm.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

CARTA AOS ESTUDANTES DE MEDICINA BRASILEIROS EM SOLIDARIEDADE AO HAITI

No último dia 12, um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti. O terremoto é considerado o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos. Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como Universidades, hospitais e prédios do governo. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados.

O Haiti é o país mais pobre da América. Conquistou sua independência em 1804, sendo o primeiro país do mundo a abolir a escravidão. Após isso, passou a apoiar, inclusive materialmente, processos de independência e de abolição da escravidão em todo o continente americano. Foi duramente reprimido pelas grandes potências, que lhe impuseram bloqueios econômicos, ocupações militares e apoiaram golpes de estado (como o de Papa Doc), o que contribuiu para a destruição de sua economia. Desde um golpe em 2004, uma missão da ONU liderada por tropas brasileiras ocupa o país, com a justificativa de uma ajuda humanitária. Essas tropas, no entanto, reprimem manifestações populares e não foram capazes de produzir ações sociais que melhorem as condições de vida do povo haitiano.

 A distribuição de renda é também das mais desequilibradas do mundo: os 10% mais pobres obtém 0,7% da renda nacional, enquanto os 10% mais ricos obtém 47,7% da renda. Com isso, 80% da população sobrevive abaixo da linha de pobreza, ou seja, com menos de 1 dólar diário. 75% das casas não possui saneamento básico. O desemprego atinge 80% da população, e o salário médio não chega a 50 dólares mensais. A taxa de mortalidade infantil é a mais alta da América Latina e somente 24% dos partos recebe atendimento médico. A expectativa de vida é de 49 anos. Além disso, o terremoto não atinge a todos da mesma forma e os mais pobres acabam por sofrer as maiores consequências.

Desde o terremoto, movimentos sociais brasileiros ofereceram ajuda ao povo haitiano, enviando voluntários para trabalhar no socorro à população. Tais movimentos procuraram a DENEM, vendo a possibilidade de se enviar estudantes de medicina como voluntários para essas ações de socorro. Esses estudantes partiriam nos próximos dias, ficando no Haiti por volta de um mês. As despesas de transporte e estadia tentariam ser viabilizadas pelos movimentos, junto a DENEM, DA’s e CA’s. Os estudantes fariam parte dos grupos e seriam recebidos por voluntários já presentes no Haiti.

Na plenária do 22º COBREM, os estudantes se solidarizaram com o povo haitiano e a DENEM se comprometeu a recrutar voluntários e tentar enviar uma delegação ao Haiti.

O Haiti não precisa de soldados, mas sim de médicos, professores, alimentos, solidariedade e também de nós estudantes. Neste momento, deve-se fazer presente a união dos povos oprimidos da América Latina.

Os interessados devem entrar em contato o quanto antes com Bruno Pedersoli (Coordenação Regional Sudeste 2) pelo email bpedersoli@yahoo.com.br, tel (31)9691-1896 ou com a Sede da DENEM (denem@denem.org.br).
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Luiz Guilherme de Souza - Coordenação Geral
Lucas Sarolli Mion - Coordenação de Comunicação
Rafael Farias Golemba - Coordenação de Finanças
Sede Nacional da DENEM 2009

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

HUOL terá gestão plena dos recursos


Ellen Rodrigues - Repórter


“2010 será o ano dos Hospitais Universitários brasileiros”, garante o relator Célio Barros, do Tribunal de Contas da União no Rio Grande do Norte. O otimismo se baseia no Acórdão aprovado no Senado e publicado em 25 de novembro, que busca melhorar o desempenho dos serviços nos 45 HU´s do país. Além de permitir a gestão plena de seus recursos financeiros, a reforma quer instituir escalas de plantão 24h e implantar uma política de estímulo à produtividade e exonerações de funcionários que não se adequem ao regimento da unidade.

O documento resulta das auditorias realizadas entre julho e outubro de 2009 em 10 Hospitais Universitários, entre eles, o Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Ele foi escolhido por ser o maior no Estado”, diz Célio Barros, que realizou a auditoria na unidade junto com Edna Calado. No RN, as medidas devem beneficiar ainda o Hospital Universitário Ana Bezerra (Santa Cruz), o Hospital de Pediatria Professor Heriberto Ferreira Bezerra (Hosped) e a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC).




Os auditores vão prestar consultoria aos HU´s durante um ano, caso haja dúvidas sobre as mudanças. “A autonomia financeira não desvincula a parte acadêmica dos hospitais, mas dão autoridade para a gestão”, explica Célio. “Também avança na medida em que propõe recursos específicos para pesquisa”. Paralelamente, o TCU aplicou questionários entre os gestores, funcionários e residentes médicos nos 45 HU´s do Brasil, para complementar o raio X da realidade do serviço prestado hoje.

Já de imediato, o Acórdão recomenda que seja levantada a necessidade de equipamentos dos hospitais, para que elas possam ser solucionadas e, assim, alavancar a qualidade e prestação do serviço à sociedade. Um ponto que chamou a atenção dos auditores é que mesmo com as dificuldades para manter o funcionamento, o HUOL não possui dívidas. “Tínhamos 180 dias para levantar as pendências financeiras, mas não havia nenhuma, o que demonstra que a gestão é boa”, diz Célio.

Edna, por sua vez, ressalta o aparato tecnológico do HUOL. “Eles possuem equipamentos de ponta, como poucos no país, e a nova estrutura de enfermaria que está para ser aberta, é de primeiro mundo”, relata. “O HUOL já havia aprovado este ano um regimento interno, se antecipando à necessidade de organizar o funcionamento”, completa.

O diretor da unidade, Ricardo Lagreca, ressalta a importância dos hospitais federais para o sistema de saúde e o reconhecimento social do HUOL, na medida em que forma profissionais, presta serviços essenciais e fomenta a pesquisa. “Não se pode pensar um país como o Brasil, sem Saúde e Educação bem definidos. A universidade assume essa responsabilidade quando forma o médico, o enfermeiro e outros”.

Ele lembra que o HUOL tem  participação significativa no atendimento de alta complexidade e, em menor escala, a média complexidade. “Às vezes, até da Atenção Básica, papel do Município, nós participamos. É o caso da reformulação do programa de diabetes que realizamos com a Secretaria de Saúde de Natal”.

Na opinião dele, a auditoria mostra que o hospital deve se preparar para atender à população e, ao mesmo tempo, servir adequadamente à academia. O fomento da pesquisa no HUOL também depende da definição de verba específica. “Hoje ela é feita mais ou menos solta. É preciso uma coordenação, saber o  interesse da sociedade na pesquisa, o custo dela. Ela não pode ser financiada pelo trabalho prestado ao SUS, porque este dinheiro é para atender às urgências”, explica.


Diretor faz críticas à burocracia


Para o diretor do HUOL, existem hoje algumas “amarras” burocráticas que impedem uma agilidade maior nas decisões, que precisam ser tomadas a cada segundo. “É necessário que o HUOL tenha mais flexibilidade na sua parte burocrática. Não significa que não precise de um controle absoluto, mas que ele ocorra dentro de sua realidade. Isso é um aspecto que a avaliação do TCU poderá corrigir”, diz Ricardo Lagreca.


A principal missão da universidade era a formação acadêmica, ou seja, não era dar assistência” 

George Câmara






Ele fala da importância de existir um orçamento global, previsto também no Acórdão. “Cada HU deve ser financiado de acordo com seus gastos individuais. Só assim é possível alocar recursos para investimentos adequados na unidade”, comenta. Sobre os recursos, Lagreca explica que outro avanço previsto no Acordão é uma divisão equilibrada das responsabilidades dos Ministérios da Saúde e de Educação e Cultura (MEC). “O rateio do orçamento tem que se equilibrar para cada um oferecer 50% desse orçamento global, além da participação do Ministério da Ciência e Tecnologia, para a pesquisa”.

Essa definição é importante para que o HUOL consiga se planejar financeiramente para poder realizar investimentos com mais segurança. Um exemplo disso é o novo prédio que foi construído para substituir e ampliar as enfermarias atuais. Cada novo andar tem 32 leitos, com um total de 192 leitos. “Isso sem contar os de UTI. Passaremos de 184 para mais de 200 leitos”.

O que falta são detalhes, por exemplo, a implantação de gases medicinais como oxigênio e ar comprimido, imprescindíveis para os leitos, ligações físicas como saída do lixo, urbanização do entorno do hospital e divisórias dos leitos. “A infraestrutura de internação modifica um passado longo de cem anos de hospital com enfermarias de pavilhão. Agora serão três leitos no máximo por quarto”.


TCU aponta ociosidade na unidade


Estruturas física e tecnológica invejáveis não são suficientes para ratificar a qualidade de atendimento de uma unidade de saúde. Sem profissionais suficientes para fechar escalas 24h, a ociosidade foi um problema visível apontado nas auditorias do TCU/RN no HUOL, principalmente no final de semana. “Não temos concurso público há sete anos. As pessoas adoecem, se aposentam, os hospitais crescem e surgem novas demandas que não podemos atender”. admite Ricardo Lagreca.

Ele diz que o HUOL tem um “déficit crônico” que, em alguns momentos, agoniza. “As avaliações para realização de concurso público devem ver o perfil de cada HU, a complexidade dos serviços e número de alunos. Uma portaria de 2007 determinou que até o final de 2010 acabem os contratos de pessoal para HU´s pelas fundações, no caso do RN, com a Funpec. Mas até hoje nunca se cumpriu”, lembra.

Uma das recomendações do Acórdão pretende instituir o “projeto de equivalência”, que é a realização de concurso público automático para as vagas que venham a ser desocupadas. “Deve haver concurso com frequência para repor o lugar de quem deixa a instituição, com menos burocracia”, aprova Lagreca. “Hoje se alguém se aposenta ou sai por outro motivo do quadro da universidade, a vaga não é reposta, com a equivalência o hospital poderá repor, por concurso público automático.

Os professores e funcionários também podem ser contemplados com a criação de políticas públicas que instituem gratificações por produtividade, e de um Plano de Carreira específico para quem atua no HU. “As preceptorias das residências médicas precisam ser estimuladas, por gratificações que não necessariamente seriam em dinheiro, embora se faça sempre essa relação”, diz Lagreca.

 Atualização de regimentos, prevista no Acórdão, já foi realizada este ano no HUOL. “Os HU´s tem administração muito verticalizada, tudo é o diretor quem resolve. Por acaso, nos antecipamos e já atualizamos esse aspecto aqui”, completou. Ele diz que  precisa ser revisto ainda, os reajustes pela tabela do SUS. “Hoje dependemos de um aditivo, que às vezes demora. O Acórdão sugere que isso seja automático”.


Entrevista/George Câmara - secretário de Saúde



A rede privada presta serviços ao Estado que o HUOL poderia fazer. Há um privilégio da rede particular na hora de fechar um convênio com o SUS?

Historicamente, a principal missão da universidade era a formação acadêmica, ou seja, não era essencialmente dar assistência. Porém, diante de determinado relaxamento de governos anteriores, deixou-se de investir nos Hospitais Universitários, que passaram a depender cada vez mais do SUS para se manter. Passaram também à função assistencial para ter recursos financeiros e se manter funcionando, uma vez que o MEC não conseguia manter esses hospitais.

Mas quando o HU faz um concurso para seu quadro, só contrata professores. Então, o profissional que está lá dentro não é pago para produzir. Faz um volume de procedimentos relativamente pequeno, apenas para cumprir a missão de dar aulas e, obviamente não tem volume de serviço. Já ouvi um professor dizer isso ao diretor do HUOL: “sou professor, não médico”.

Quando assumi a Sesap, há um ano, já tinha essa história de que o HUOL é coitadinho, que a Secretaria tem uma política que reforça a iniciativa privada, mas não é. A questão é que a gente precisa de resposta. Em imagens, por exemplo, sempre temos problemas de equipamento quebrado. “Vai consertar quando?” Ninguém sabe. Essa é a resposta que daremos ao pacientes? Não, a ação judicial vem para o estado e município, não para o reitor ou diretor do hospital. Temos que buscar quem tem o serviço.


Na sua opinião, o HUOL tem estrutura para atender à demanda do Estado? O que falta?

GC - O grande problema do hospital  universitário é a falta de recursos humanos. Não tem médico para o serviço assistencial, e sim professores. Mesmo que ofereça serviços extremamente importantes para o estado, a grande queixa dos 167 municípios é que mesmo tendo investido no HUOL,  pelo fundo de participação repassado por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Natal, quando precisam de uma resposta a altura, não recebem.

Temos uma responsabilidade com 3 milhões de habitantes. Se tentamos uma, duas, dez vezes o procedimento pelo hospital e não conseguimos, buscamo onde tem, e quase sempre é na rede privada. Não posso ficar preso a esse discurso ideológico e não tenho medo de dizer em lugar nenhum que, quando precisamos, vamos buscar onde tiver o serviço.

Tudo que é feito lá tem ajuda do estado, de Natal ou dos 167 municípios. Para o HUOL fazer a cirurgia de vitrectomia  (ocular), tive que convocar um oftalmologista concursado para colocar dentro do hospital.


Questões burocráticas também atrapalham?

Sim. Há um ano, tento fechar um convênio de R$500 mil/mês com o HUOL, e no dia que íamos assinar baixou uma portaria que impedia este tipo de convênio. São R$350 mil do SUS, mais R$150 mil do orçamento do estado.

Outro exemplo é a cirurgia de revascularização, que buscamos uma brecha jurídica para pagar aos profissionais do HUOL para fazerem as cirurgias.  Algumas portarias do Ministério da Saúde dizem que alguns serviços devem que ter o HU como centro de referência. Mas enquanto o impasse jurídico não é resolvido, formam-se filas de pacientes que, pela demora para realizar a cirurgia, podem acabar com o membro amputado.

Fonte: Tribuna do Norte -  Publicação: 27 de Dezembro de 2009 às 00:00



domingo, 27 de dezembro de 2009

MEC pede R$ 420 mi para os hospitais universitários

O Ministério da Educação (MEC) vai solicitar ao Banco Mundial um empréstimo de US$ 420 milhões para serem investidos na revitalização dos hospitais universitários federais. Junto com reitores das universidades federais, o MEC elaborou um plano para reestruturar a rede de 46 hospitais que hoje têm 10% dos seus leitos desativados e precisam contratar 5 mil profissionais em caráter emergencial. O pedido de empréstimo foi autorizado e aprovado nesta quarta-feira (16) pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), do Ministério do Planejamento.

Segundo o diretor de hospitais universitários da Secretaria de Ensino Superior do MEC, José Rubens Rebelatto, a expectativa é de que parte do dinheiro já seja liberada em 2010 e que os recursos sejam empregados até 2011.

"Conseguir a liberação de um financiamento do Bird não é uma coisa simples. Você tem que mostrar desde a capacidade no gerenciamento de compras e obras, até o impacto ambiental dos projetos. Mas temos uma equipe gerencial trabalhando nisso e já tivemos hoje uma reunião com pessoas do banco", disse.

Em maio deste ano, os reitores das universidades federais se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir socorro financeiro aos hospitais universitários. As dívidas das 46 unidades somaram em 2008 cerca de R$ 235 milhões

De acordo o diretor, a verba será aplicada principalmente na reforma dos hospitais "que sofreram uma grande degradação física nos últimos 15 anos" e na compra de novos equipamentos já que "muitos estão obsoletos". Rebelatto defende que os hospitais universitários são "estratégicos para o país".

"Em alguns estados, o único hospital que funciona 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atende as grandes demandas é o universitário. Além disso, são eles que formam os futuros médicos, dentistas, enfermeiros", diz.

Segundo levantamento realizado pela Secretaria de Ensino Superior em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em 2008 os hospitais universitários realizaram 1 milhão de atendimentos emergenciais, 402 mil internações, 6 milhões de consultas e 20 milhões de procedimentos médicos.

O projeto aprovado pelo Cofiex que será enviado ao Banco Mundial prevê uma contrapartida do Ministério da Educação de mais de US$ 3 bilhões. Segundo Rebelatto, esse não é um "dinheiro novo". Os recursos já tinham previsão orçamentária e serão investidos pelo MEC nos hospitais ao longo dos anos.

Fonte: A Gazeta - MT
          Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br no dia 17/12/2009.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009


A cura indesejada
“Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure”
(Vinícius de Morais)

            Penso que São Paulo se equivocou ao dizer que o amor tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Não é bem assim.  Afinal, o amor, como alertava Drummond, é bicho instruído. Portanto, ele pode pular o muro, subir na árvore em tempo de se estrepar: “Pronto, o amor se estrepou. Daqui estou vendo o sangue que escore do corpo andrógino. Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca/ às vezes sara amanhã”.
            E o danado é que às vezes sara mesmo. Mas, e o amor é doença para sarar? Claro que é. Se não fosse, Camões não teria dito: “Amor é fogo que arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente”.
            Padre Antônio Vieira (duvido que alguém escreva melhor do que ele) também considerava o amor uma doença - que deveria ser incurável, mas, infelizmente, tem cura. E quais são os remédios do amor, segundo Padre Vieira? São apenas quatro, mas com um poder de curar extremamente potente...
O primeiro remédio é o tempo. Por isso que Cupido, deus do amor, é pintado como criança, pois “não há amor tão robusto que chegue a ser velho”. O passar das horas faz com que as flechas de Cupido percam a potência; que o amor que é cego passe a enxergar; que suas asas cresçam e ele voe para bem longe... o tempo gasta o ferro com o uso, diz Vieira, que dirá o amor! “O tempo tira a novidade das coisas, descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto...”.
O segundo remédio, para curar o amor, é a ausência. Ora, se com a proximidade as flechas de Cupido correm o risco de não nos atingirem, que dirá com a distância... “A ausência tem os efeitos da morte: aparta, e depois esfria... tudo esquecido, tudo frieza”. E o fogo que arde sem se ver, com a distância, vira um deserto polar.
O terceiro remédio é ainda muito mais poderoso do que os dois anteriores. O seu poder de ação é quase instantâneo: a ingratidão é mortal para o amor. “Se o tempo tira do amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunicação, a ingratidão tira-lhe o motivo”. E o danado é que só os amigos são ingratos. Era por isso que Nelson Rodrigues dizia que “só os inimigos são fiéis”, já que estes nunca serão ingratos e nem nos trairão. Não foi a toa que Cristo se queixava de que semeando grandes benefícios nos corações dos homens, se colhia maiores ingratidões...
Por fim, se o amor foi capaz de resistir até aqui - embora duvido que exista amor que consiga vencer: o tempo, a ausência e a ingratidão-, chegou a vez do mais eficaz de todos os remédios, o que até hoje, ninguém deixou de sarar: o melhorar de objeto, que nada mais é do que conseguir um outro amor. “Dizem que um amor com um outro se paga”, alerta Vieira, “mas o certo é que um amor com um outro se apaga”... as estrelas conseguem brilhar nas trevas, no entanto, numa luz ainda maior que é o Sol, elas desaparecem, deixam de brilhar...
Infelizmente, o mundo está se curando do amor. Hoje, os relacionamentos são pelos celulares e internet, ou seja, ausentes e distantes. E com o passar do tempo serão tão frios que as terminações nervosas, que os unem, ficarão anestesiadas, e “o amor que não é intenso”, adverte Vieira, “não é amor”... Triste humanidade que não consegue debelar um vírus de uma gripe suína, mas que é extremamente “competente” para destruir o vírus do amor...

Francisco Edilson Leite Pinto Junior
Professor, médico e escritor

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Edital do Concurso do Hospital Giselda Trigueiro



Assuntos:
- AIDS
- CALAZAR
- CAXUMBA
- DENGUE
- DOENÇAS EXANTEMÁTICAS
- ESTAFILOCOCCIAS
- ESTREPTOCOCCIAS
- LEPTOSPIROSE
- MENINGITES
- PNEUMONIAS
- TÉTANO
- TUBERCULOSE
- RAIVA
  • A prova será realizada dia 20 de dezembro de 2009 (Domingo), às 10:00 horas, no Colégio Contemporâneo na Avenida Salgado Filho – Lagoa Nova. 
  • Poderão ser inscrever, apenas, os estudantes que cursaram a disciplina de Doenças Infecciosas e parasitárias 
  • As inscrições deverão ser feitas na secretaria do HGT com Vanuza, de 02 a 15 de dezembro, no horário comercial das 08:00 às 12:00 horas e das 14:00 às 17:00 h. A taxa de inscrição será R$15,00,
Natal, 15 de dezembro de 2009.

Prezados(as) Servidores(as) e Alunos(as) do CB:

A Diretora do Centro de Biociências convida a todos para apresentação e discussão
sobre a Gestão de Resíduos na UFRN, com a presença dos Engenheiros Gustavo
Rosado, Marjorie Medeiros e Marcos Paulo da Superintendência de Infraestrutura.

Data: 18/12/2009
Horário: 14:00 h
Local: Anfiteatro das Aves

Atenciosamente,
SECRETARIA DO CB.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Centro de Biociências
Campus Universitário, BR 101 - Lagoa Nova
Cep.: 59.078-970 - Natal - RN
Contatos: (84) 3215-3400, 3215-3403
Fax: 3215-3402
Direção: Profa. Maria de Fátima Freire de Melo Ximenes
Vice-Direção: Prof. Graco Aurélio Câmara de Melo Viana

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sun Tzu rubro-negro

Machado de Assis, pela boca do seu Quincas Borba, tentando explicar a sua teoria do humanitismo, disse: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas!”. Pois bem! Aceito as batatas, desde que os vencidos aceitem a minha compaixão e recebam um lenço e o livro de Sun Tzu, “A arte da guerra”.
Dou um lenço, para enxugar as lágrimas, já que o choro é mesmo válido para os derrotados; dou um livro, para que os adversários aprendam sobre a guerra e a sua arte e se tornem melhores guerreiros, pois essa história do FLAMENGO viver ganhando, está nos deixando entediado.
Nunca um título teve tanto a cara do FLAMENGO, como esse brasileirão de 2009. Saindo do fundo do poço, vários pontos atrás dos líderes, o rubro negro da gávea usou como ninguém a sabedoria do chinês fantástico, que 500 anos antes de Cristo, escreveu o seu sensacional livro.
E ensinava Sun Tzu: “Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema: a glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar... O guerreiro vence os combates não cometendo erros. Não cometer erros é o que dá a certeza da vitória, pois significa conquistar um inimigo já derrotado”.  
Os nossos adversários abusaram do direito de errar: O Palmeiras passou quase vinte rodadas sendo líder, menosprezou a todos, assumiu sua condição de campeão por antecipação e viu-se o título lhe escapar, e quando seu exército quis reagir já era tarde. Aliás, o exército palmeirense se esqueceu de ler a página 56 do livro de Sun Tzu: “Quem não for precavido e fizer pouco dos seus adversários, certamente será capturado por eles”. Final melancólico do alviverde paulista: terminou fora até da libertadores; O São Paulo - cheio de empáfia, o que já é natural e por isso Nelson Rodrigues dizia que não havia uma solidão maior do que a companhia de um paulista – quando assumiu a liderança talvez precisasse d as sábias palavras da página 64 da Arte da guerra: “Clamor noturno indica nervosismo. O medo torna os homens inquietos, levando-os a gritar de noite... Se há confusão no acampamento, o general tem pouca autoridade...”. A troca de socos entre os jogadores paulista (André Dias e Hugo), no jogo contra o time do Vitória, mostrou a desunião do grupo e não há vitória em exército desunido.
Já o nosso rubro negro, leitor assíduo de Sun Tzu, sabia que a página 86 era uma das mais importantes: “O general habilidoso conduz seu exército como se estivesse levando um único homem. Compete a um general ser calado e, assim, assegurar o sigilo; honesto e justo, mantendo dessa forma a ordem. Deve ser capaz de confundir seus oficiais e soldados com relatórios e aparências falsas, mantendo-os em total ignorância”. Então, o técnico Andrade agiu exatamente assim: se fazendo de morto... O tempo todo dizendo que o único objetivo do FLAMENGO era “apenas” conquistar uma vaga no G4, para disputar a libertadores. E na verdade, a vaga que o time da gávea queria era a primeira. Era o título. Por isso, ao assumir a l iderança, na penúltima rodada do campeonato, fez valer os ensinamentos da página 81 de Sun Tzu: “Para o soldado, dominar a rapidez é de suprema importância e ele jamais deve perder oportunidades”. E o FLAMENGO não desperdiça as oportunidades, afinal está lá no seu hino: “Vencer, vencer, vencer... (seis) vezes FLAMENGO, FLAMENGO até morrer...”.
P.S. já ia esquecendo... Aceito mesmo as batatas (que é ótimo para comer com bacalhau), já que no próximo ano, teremos a boa companhia, novamente, do nosso ‘co-irmão’ Vasco, e isso nos dá a certeza, de pelo menos seis pontos já garantidos...
Francisco Edilson Leite Pinto Junior
Professor, médico e escritor

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia


Federada da Sociedade Brasileira de Infectologia


Natal, 30 de novembro de 2009.


Em resposta à solicitação da Promotoria de Justiça e Defesa da Saúde Pública e da  Secretaria  Estadual  de  Saúde  Pública  do  Rio  Grande  do  Norte, para  um  parecer técnico sobre os riscos da realização do Carnatal em relação à pandemia de Influenza A H1N1, a Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia (SRNI) reuniu-se às 17 horas do dia 29 de novembro de 2009 e deliberou o seguinte documento:
Considerando o crescente número de casos graves e óbitos em âmbito regional a partir da semana epidemiológica 41 de 2009;

Considerando que muitos dos casos graves necessitam de assistência ventilatória e, consequentemente, internação em leitos de Unidades de Terapia Intensiva;

Considerando que  todos os casos  internados devem  ter  isolamento  respiratório, em quartos privativos, com vedação de portas, boa ventilação e, preferencialmente, com pressão negativa;

Considerando  que  a  disponibilidade  dos  leitos  supracitados  é  insuficiente  para atender  a  demanda  atual  e,  portanto,  não  daria  suporte  a  um  aumento  do  número  de casos;

Considerando que  toda  aglomeração humana  é  propícia para disseminação das doenças de transmissão aérea;

Considerando que não há  recomendação para o uso de máscaras em ambientes
abertos;

Considerando que o número de casos confirmados  são  referentes aos de maior gravidade, já que não são realizados exames confirmatórios dos indivíduos sem critérios de gravidade e que, sendo assim, não sabemos a real taxa de ataque do vírus;

Considerando  que  o  período  de  transmissibilidade  da  doença  se  inicia  um  dia
antes dos primeiros sintomas e persiste até o sétimo dia;

Considerando  que  a  aplicação  da  vacina  em massa  é  a mais  eficaz  forma  de prevenir o avanço da pandemia;Considerando que  todos os pontos  levantados neste documento são condizentes com  as  recomendações  do Ministério  da Saúde  e  da Organização Mundial  de Saúde, emitimos o seguinte parecer:

A realização do evento denominado Carnatal pode aumentar consideravelmente o  número  de  casos,  assim  como  qualquer  outra  forma  de  aglomeração  humana.  Pelo mecanismo  de  transmissão  da  doença,  espera-se  que  o  risco  seja  diretamente proporcional à intensidade da aglomeração.
A  rede  assistencial do Rio Grande Norte  é deficiente  e  necessita de melhorias para atender a demanda atual, podendo a situação se agravar substancialmente com uma possível elevação da incidência de doentes graves.
É essencial que os gestores locais adquiram vacina para proteger a população do RN imediatamente, pois o período anual de incidência da influenza sazonal local, difere das  regiões  Sul  e  Sudeste  do  país.  Enquanto  nessas  regiões  as  vacinas  poderão  ser aplicadas em março ou abril de 2010, no nordeste brasileiro deveríamos ter  iniciado a campanha vacinal em outubro.
Recomendamos ainda, que haja veiculação em massa nos meios de comunicação (tv, rádio, jornal, outdoor, etc), sobre as medidas de prevenção da Gripe.
Certos de estarmos cumprindo com nosso dever social,  reiteramos a disposiçãoda  Sociedade  Riograndense  do  Norte  de  Infectologia  em  contribuir  para  os esclarecimentos julgados necessários.

Atenciosamente,
Hênio Godeiro Lacerda
Presidente da SRNI

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Projeto de Lei: 13a bolsa (gratificação natalina) para médicos residentes

PROJETO DE LEI Nº6146 , DE 2009


O Projeto de Lei para os médicos residentes tenham direito a uma 13a bolsa (gratificação natalina) começou a tramitar na Câmara dos Deputados. Trata-se de um passo fundamental, mas não garante que tenhamos sucesso, porque muitos projetos são apresentados e podem levar anos para serem apreciados pelo plenário da Câmara (onde pode ser aprovado e virar lei de verdade) esse caminho pode ser mais curto se conseguirmos demonstrar a relevância social do projeto. Para os parlamentares isso se traduz em demonstração das partes interessadas de que se importam com sua aprovação. Esse projeto está atualmente na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) aguardando indicação de relator (o deputado que vai ler o projeto e dar o parecer a esta comissão podendo até mesmo modificá-lo).
Gostaríamos de contar com cada um que concorda que os médicos residentes devam a exemplo de todos os trabalhadores receber uma gratificação no final do ano, enviassem emails aos deputados da CSSF demonstrando que tem interesse que o projeto seja aprovado.
Segue abaixo os emails dos deputados que são da mesa diretora da CSSF, vamos demonstrar que o projeto é relevente, sugerimos que todos os médicos residentes entrem em contato os deputados, que seja com "Meu nome é X, sou médico residente hospital Z da especialidade Y, e gostaria de que fosse indicado relator para o Projeto de Lei 6146/2009 de autoria do deputado Arlindo Chinaglia - PT/SP."
Gostaríamos de contar com apoio das diversas entidades médicas e lideranças que atuam no campo da saúde a essa reivindicação tão justa quanto relevante.

Presidente: deputada Elcione Barbalho - PMDB/PA:dep.elcionebarbalho@camara.gov.br,
1a Vice: deputada Fátima Pelaes - PMDB/APdep.fatimapelaes@camara.gov.br,
2o Vice: deputado Eduardo Barbosa - PSDB/MGdep.eduardobarbosa@camara.gov.br,
3o Vice: deputado Dr. Paulo Cesar - PP/RJdep.dr.paulocesar@camara.gov.br




PROJETO DE LEI Nº6146 , DE 2009
(Do Sr. ARLINDO CHINAGLIA)
Acrescenta dispositivo à Lei n.º 6.932, de 7 de julho de 1981, a fim de assegurar gratificação natalina aos médicosresidentes.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º O Art. 4º da Lei n.º 6.932, de 7 de julho de 1981, que “Dispõe sobre as atividades do médico-residente e dá outras providências”, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo:
"Art. 4º ...............................................................................
............................................................................................
§ 7º É assegurado ao médico-residente uma bolsa extra anual, calculada, no que couber, da mesma forma que a Gratificação de Natal dos trabalhadores, tendo por base o valor da bolsa do mês de dezembro de cada ano.”
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
Historicamente, a Gratificação de Natal, também conhecida como 13º Salário, tem origem nas relações patronais, inicialmente como fruto do costume de os empregadores concederem uma cesta com produtos típicos das comemorações natalinas. Essa prática, posteriormente, foi substituída pela liberalidade de uma gratificação proporcional ao salário do empregado.
Com a Lei n.º 4.090, de 13 de julho de 1962, tornou-se obrigatório o pagamento da referida gratificação, atendendo aos anseios daqueles trabalhadores que não eram favorecidos com o benefício e apaziguando as expectativas e incertezas daqueles que o recebiam como mera benevolência de algumas empresas. A importância desse direito foi de tal forma assimilada em nosso Estado Democrático que a Carta de 1988 o incluiu como “Direito Social”, entre os “Direitos e Garantias Fundamentais”, assim dispondo:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
............................................................................
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;” (Negritamos) Hoje, pois, até mesmo os cidadãos que não mais estão na condição de trabalhadores, mas na situação de aposentados e até de pensionistas, recebem a Gratificação de Natal. A vantagem é de todos: de um lado, é inegável a importância desse adicional remuneratório no orçamento dos cidadãos, e, de outro lado, o 13º Salário injeta bilhões na economia. Assim, como direito social assegurado constitucionalmente a todos os trabalhadores, não é lícito excluir o relevante segmento profissional de médicos-residentes, que tão arduamente emprestam sua capacidade laborativa em prol da vida humana. Apenas para ilustrar, anote-se que, enquanto os demais trabalhadores têm uma jornada laboral de 44 (quarenta e quatro) horas semanais, a lei estabelece 60 (sessenta) horas semanais para os médicos-residentes. Ressalte-se que o respeito a essa já exaustiva jornada legal, constitui, aliás, uma constante na pauta de reivindicações dos jovens médicos, pois, na prática, muitas especialidades chegam a trabalhar cerca de 100 (cem) horas semanais. Sem dúvida, é preciso dotar os médicos-residentes de melhores condições de trabalho e assegurar-lhes qualidade de vida digna. Em busca deste propósito, o legislador vem ampliando-lhes a proteção social, a exemplo das conquistas decorrentes da Lei n.º 8.138, de 1990: como segurados obrigatórios da Previdência Social, têm os direitos estabelecidos na Lei n.º 3.807, de 26 de agosto de 1960, e a cobertura dos riscos de acidente do trabalho; ainda, para a médica gestante, na esteira da licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias das demais trabalhadoras, foi-lhe assegurada a continuidade da bolsa pelo período de quatro meses. Mas ainda há muito o que fazer em favor da melhoria da qualidade de vida desses jovens médicos . Portanto, com mais esta medida legislativa de inteira justiça social, pretendemos garantir essa bolsa adicional aos médicos-residentes, dando efetividade ao mandamento constitucional que assegura esse direito social a todos os trabalhadores. Diante do exposto, pedimos aos nobres Pares apoio para a aprovação deste Projeto de Lei. Sala das Sessões, em de de 2009.



Deputado ARLINDO CHINAGLIA

terça-feira, 17 de novembro de 2009

XXII Congresso Brasileiro de Estudantes de Medicina - COBREM 2010

          O Centro Acadêmico de Medicina Nelson Chaves (CANECA) apresenta com muito orgulho à todos e todas estudantes de medicina do Brasil, em especial aos da UFRN, o XXII Congresso Brasileiro de Estudantes de Medicina, a realizar-se em nossa cidade entre os dias 14 a 22 de janeiro de 2010.

          Em 2010, o CANECA traz como tema “Saúde e Educação em Tempos de Crise – Reconstruindo Bandeiras”, amplificando a discussão de assuntos que são confluência no debate do Movimento Estudantil de Medicina no contexto atual de crise econômica mundial.

        Cada um de nós é importante para a construção desse planejamento, que nos direcionará no ano de 2010, portanto sintam-se plenamente convidados e bem-vindos a participar do XXII COBREM!!!

        Gostaríamos de salientar, que tal evento está sendo organizado pelo CANECA, ou seja, pelos estudantes conforme as discussões de planejamento realizadas nas reuniões as quinta-feira as 17:30 no 5° subsolo. Através do apoio da DENEM (Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina) e da UFRN.

CONFIRA TODAS AS INFORMAÇÕES NO BLOG:
http://www.cobrem2010.blogspot.com/

ACESSE JÁ!!!

Atenciosamente,
CANECA - Centro Acadêmico Nelson Chaves

terça-feira, 10 de novembro de 2009

PROCESSO SELETIVO PARA ESTÁGIO NO SERVIÇO

CAMPO DE ATUAÇÃO: HJPB-RN
VAGAS: 40
LOCAL DE INSCRIÇÕES: Depto de Cirurgia – Disciplina de Técnica Operatória e
Cirurgia Experimental UFRN – Procurar Ítalo nos horários – 9:00 às 11:00 e 14:00 às 16:00
ou
Disciplina de Técnica Operatória da UNP
Fazer diretamente com Dr Medeiros – Tel 9921 2290
TAXA DE INSCRIÇÃO: 15 REAIS (Objetivo: Cobrir despesas com o concurso)
PERÍODO DE INSCRIÇÕES: De 11 de novembro a 11 de dezembro de 2009
PROVA: 14 de dezembro (40 questões de múltipla escolha)
LOCAL DA PROVA: Salas do 5° subsolo, anexo HUOL e Sala T02 da UNP,
às 14:00 horas.

TEMAS ABORDADOS
1. Pré e Pós-operatório em cirurgia do trauma abdominal;
2. Abdome Agudo não Traumático (inflamatório, vascular, perfurativo e obstrutivo)
3. ATLS
4. Cicatrização
5. Choque
6. Resposta endócrino-metabólica ao Trauma
7. Suporte Nutricional ao paciente grave
8. Trauma Abdominal e Torácico (aberto e fechado)
9. Colecistite Aguda
10. Hérnias da parede Abdominal
11. Indicações para o Transplante Hepático
12. Manejo do Potencial Doador
13. Manejo do Carcinoma Hepatocelular
14. Pancreatite Aguda Alcoólica e biliar
15. Apendicite Aguda
16. Diverticulite Aguda
17. Hemorragia Digestiva alta e baixa
18. Insuficiência Hepática Aguda
19. Câncer Pancreático
20. Câncer Gástrico

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Discussão sobre PLANTÕES ILEGAIS - próxima reunião de colegiado, dia 09/11/2009

Pessoal, na próxima reunião de colegiado de curso, a ocorrer no dia 09/11/2009 as 11 horas da manhã na sala de reuniões ao lado da coordenação de curso, acontecerá uma reunião a respeito de plantões ilegais realizados por alunos de medicna dentro do estado do Rio Grande do Norte, e possivelmente sairá de lá uma deliberação a respeito da atitude a se tomar frente a um aluno que esteja realizando tal ato.

A reunião contará com a presença do procurador da UFRN, que orientará aos presentes qual a posição da instituição perante tal situação e o que o corpo docente pode ou não fazer.
Hoje foi realizada uma reunião com o procurador e alguns professores, sem a convocação discente, e foi informado aos presentes que dentro das leis da universidade a punição para alunos que realizam PI's deve ser responsabilidade docente, logo, decidida em Colegiado de Curso.

CANECA - Centro Acadêmico Nelson Chaves

Discussão no Colegiado - Plantões Ilegais

Caros Estudantes,
Conforme decisão do Colegiado do curso em sua última reunião ordinária, realizamos hoje à tarde mais uma reunião com a Procuradoria Geral da UFRN, para discutir a posição da Instituição diante desse grave problema dos estágios não supervisionados.
Participaram, além de mim, o Procurador Prof. Giuseppe, a Pró-reitora adj. de Graduação Profa. Mirza e o Prof. Stênio do Depto. de Med. Clínica. Na ocasião, o sr. Procurador reafirmou a posição de que essa prática enquadra-se no capítulo das "penas aplicáveis ao corpo discente" do Regimento Geral da UFRN, sendo, portanto, passível de penalidades aos estudantes que forem comprovadamente flagrados.
Nesse sentido, convidei o sr. Procurador a se fazer presente na próxima reunião do Colegiado do curso, próxima segunda-feira dia 09/11, às 11h, no quinto subsolo, ocasião em que estará presente também a Direção do CCS, instância a quem compete instaurar processos administrativos. Será uma ocasião importante para tirarmos todas as dúvidas a respeito.
Estamos informando aos estudantes para reforçar a importância da participação de suas representações no Colegiado, assim como outros estudantes que tenham interesse no assunto.
Pedimos desculpas pela insistência no assunto da parte da Coordenação, o que se justifica pela enorme pressão e cobrança que temos enfrentado não somente da parte das entidades médicas, como CRM, mas também da imprensa local, professores e médicos, além da sociedade em geral. O fato ocorrido recentemente com o estudante da UERN reacendeu a discussão e já fomos procurados por jornais da cidade querendo explicações sobre o que a UFRN estava fazendo para coibir essa prática. Como já disse anteriormente, penso que não é nossa função fazer qualquer busca ativa, pelo contrário, acredito no papel educativo e orientador do curso como forma de evitarmos que escândalos dessa natureza venham macular a nossa instituição. Não tenham dúvida de que o dano, nessas circunstâncias, seria irreparável para todos.


Atenciosamente,
George Dantas
Coordenador do Curso

Mateus 7: (1-5)

Que me permita acrescentar, o filósofo alemão, Martin Heidegger – que certa vez disse: “Somos seres para a morte” – a essa frase, as seguintes palavras: “passando pela incoerência”. Então, é isso caro leitor: somos seres não só para a morte, mas também para colocar em prática a nossa incoerência.
Por isso, não me surpreende que o maior homem que já pisou neste planeta, Jesus Cristo, tenha, insistentemente, falado neste assunto. No capítulo 7 do evangelho de Mateus, os primeiros versículos abordam exatamente isso: “Por que reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: ‘deixa-me tirar o argueiro de tua vista’, tendo tu uma trave na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão”.
Pois bem! Feito o diagnóstico, cabe-nos agora, encontrar as causas dessa doença – a incoerência – pois só assim, poderemos estabelecer o tratamento adequado. Seria a incoerência, originada pelas circunstâncias? Sim! Não vamos esquecer o que disse o grande escritor, filósofo espanhol, Ortega y Gasset: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”. E a circunstância, a ocasião, faz o ladrão (o PT sabe muito bem isso que estou falando...). A circunstância faz também o covarde, que num dia tem um discurso exaltado, revoltado, áspero, mas quando está na frente de quem ele se exaltou e se revoltou, muda o tom: fala manso e o que é pior: até defende, com unhas e dentes, o seu antigo desafeto...
Esse tipo de comportamento ocorre em todas as profissões, mas duvido que seja mais comum do que no meio médico. Afinal, se hoje, estamos sofrendo todas essas mazelas – baixos salários, condições subumanas de trabalho, etc. etc. – é porque os nossos pretensos “líderes” da classe médica, um dia, quando ainda não estavam na cadeira do poder, tinham um discurso aguerrido, bravo e duro contra os poderosos, mas, quando se torna um deles – um poderoso (de pés de barro, é bem verdade) – mudam o discurso, o conteúdo e o seu tom... Quando eu sou médico, apenas médico, eu critico, mas quando estou diretor de hospital, vereador, deputado, secretário de saúde, etc. etc. aí eu me transfor mo... e haja incoerência incoerente!
E essa incoerência incoerente é terrível, pois - diferentemente da incoerência defendida por Osho, o mestre budista, que certa vez disse: “Se você realmente quer desfrutar a vida em toda a sua riqueza, tem que aprender a ser incoerente, a ser coerentemente incoerente”-, ela, a incoerência não coerente, é aquela que permite que milhares de pessoas sejam mortas nos corredores dos nossos hospitais públicos, porque eu não tenho a coragem de continuar coerentemente coerente com o meu discurso que tinha antes de ocupar a cadeira do poder...
Então, caro leitor, já temos duas causas para a mudança tão rápida, extremante abrupta, do nosso comportamento: a circunstância e a cadeira do poder. Porém, há outra causa muito mais forte, explicada pela física quântica: toda vez que inspiramos, colocamos para o interior do nosso organismo um trilhão de átomos que um dia podem ter sido também respirados por Cristo, Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, Hitler, Saddam Hussein... e o danado é que me parece que os átomos desses dois últimos têm sido responsáveis pelo ar- mau cheiroso, e bote fétido nisso - que estamos respirando na saúde do nosso estado...
Portanto, meu caro amigo, você que tem me acusado, constantemente, de incoerente, veja que a origem desse problema pode está em você mesmo, afinal não tenho cadeira do poder, nem pretendo “criar” circunstâncias para ocupá-la. Portanto, só resta-nos acusar os átomos que estou respirando, quando estou perto de você... mas, não se preocupe, como cirurgião, será fácil resolver esse problema: usarei sempre a máscara cirúrgica, quando lhe encontrar, certo?


Francisco Edilson Leite Pinto Junior (edilsonpinto@uol.com.br)
Professor, médico e escritor