quinta-feira, 7 de maio de 2009
A gripe dos porcos e a mentira dos homens
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
Publicado no Jornal do Brasil
Mauro Santayana é jornalista - 01/05/09
Decisão MP: Perdão da Dívida ISS UNIMED
DEFESA DO PATRIMÔNIO PÚBLICO
Distribuição nº 060/00
Representantes: Vereadores Luiz Carlos e George Câmara
PROMOÇÃO DE ARQUIVAMENTO
O presente procedimento foi distribuído por representação subscrita pelos vereadores acima nominados, que solicitaram providência em face da participação de quatro vereadores na votação da Mensagem n.017/2009, que alterou Lei n. 3.882/89, tendo em vista que os mesmos, sendo três deles cooperados da UNIMED, os vereadores ENILDO ALVES, FRANKLIN CAPISTRANO e ALBERT DICKSON, e um deles, não identificado, filho da cooperada NILMA RODRIGUES, estariam impedidos de participar da respectiva votação, nos termos previstos no Regimento interno da Câmara de Vereadores, uma vez que a referida cooperativa seria beneficiada com a matéria legislativa aprovada.
O artigo 186 do Regimento Interno da Câmara de Vereadores dispõe que o vereador poderá escusar-se de tomar parte da votação, declarando simplesmente “abstenção” ao responder a chamada, quando: I – houver interesse pessoal; II – tratar-se de assunto em causa própria; III – por qualquer motivo de razão ética ou moral.
Primeiramente é de ser consignado que o Supremo Tribunal Federal firmou jurisprudência no sentido de que “a interpretação e a aplicação do Regimento da Câmara dos Deputados constituem matéria interna corporis, insuscetível de apreciação pelo Poder Judiciário” (MS Agr 26062), ressalvadas as hipóteses em que “haja violação a direitos assegurados pela Constituição” (MS 26915).
Dessa forma, tenho que, a princípio, a norma regimental invocada pelos representantes constitui matéria interna corporis, cuja interpretação e aplicação cabe exclusivamente à própria Câmara de Vereadores.
Contudo, na esteira da exceção admitida pelo Supremo Tribunal Federal, é possível vislumbrar que a norma regimental encontra respaldo nos princípios constitucionais da moralidade e impessoalidade, o que poderia então ensejar o controle jurisdicional dos atos praticados desconforme o regimento.
Tenho que as regras de impedimento ou suspeição previstas no artigo 186 do Regimento Interno da Câmara de Vereadores devem ser interpretadas com reserva, em face da natureza eminentemente política do ato legislativo, sendo da sua essência a discricionariedade.
Diferentemente de outras atividades estatais, como a função jurisdicional ou a intervenção do Ministério Público, que são marcadas pela incondicional imparcialidade dos agentes públicos, tal predicativo não se aplica em se tratando de ato legislativo, pois a manifestação de vontade do parlamentar é decorrente de íntima convicção, estando subordinada a todo e qualquer tipo de interferência externa lícita, impregnada de subjetividade e alimentada por fatores ideológicos, culturais, sociais, econômicos, religiosos etc.
Em decorrência dessas peculiariedades da atividade legislativa, a definição do conceito de “interesse pessoal”, capaz de caracterizar o impedimento de um parlamentar, deve seguir critérios extremamente restritivos, sob pena de ser tolhida a liberdade que é típica do exercício da função.
É que a interpretação ampliativa dos casos de impedimentos e suspeição do legislador levaria à sua incompatibilidade com diversas situações rotineiramente verificadas no exercício da função legislativa, seja em decorrência do próprio caráter abstrato das normas, pois quase sempre os parlamentares também são destinatários da disciplina legislativa por eles aprovada, ou então até mesmo em algumas situações concretas, como a fixação dos próprios subsídios, em que há interesse exclusivo dos parlamentares e de mais ninguém. Por óbvio que, não obstante a evidente presença do interesse pessoal nessas hipóteses, o parlamentar não estará impedido de participar da respectiva votação.
Penso que a regra de impedimento sob análise deve ficar limitada às hipóteses de matéria legislativa de efeito concreto, que se assemelha a atos administrativos.
Estabelecido este parâmetro de interpretação e confrontando-o com o caso aqui tratado, verifico que, em linhas gerais, a matéria legislativa objeto da Mensagem n. 017/2009 tem natureza absolutamente abstrata, na medida em que disciplina a forma de cobrança do ISS nos serviços de assistência médica, quando fornecidos por meio de cooperativa.
Embora a UNIMED tenha sido contemplada pela modificação legislativa, é fato que não foi a única beneficiária, já que outras cooperativas, já existentes ou que venham a ser constituídas, também estão acobertadas pela norma.
Porém, o artigo 2º. do projeto de lei, que prevê a retrotividade dos efeitos da modificação legislativa ao dia 1º. de janeiro de 1991, este sim, quando analisado no máximo da sua extensão, é dedicado exclusivamente à UNIMED, embora outras cooperativas também possam ser parcialmente beneficiadas por esta retroação.
Chega-se então ao seguinte ponto: havendo participado da votação do projeto de lei que, dentre outras matérias de caráter abstrato, concedeu benefício fiscal que favorece exclusivamente a UNIMED, os três vereadores que dela são cooperados e um outro que é filho de uma cooperada estariam impedidos de exercer a função legislativa?
Primeiramente é de ser consignado que o benefício fiscal concedido à UNIMED não proporciona, diretamente, qualquer benefício aos vereadores.
Interesse indireto é claro que há, pois a saúde financeira da UNIMED efetivamente é do interesse dos vereadores alegadamente impedidos. Ocorre que o equilíbrio econômico da cooperativa também é, por outras razões, do interesse de todos os usuários dos seus serviços, seja porque a sua liquidação deixaria milhares de pessoas desassistidas, ou então porque o custo da incidência da carga tributária seria certamente repassado para os usuários. Nessa linha de raciocínio, então os vereadores que fossem clientes da UNIMED também estariam impedidos. Inclua-se ainda no universo de interessados na higidez financeira da UNIMED todos os seus empregados e fornecedores, compreendendo hospitais, clínicas etc.
Por outro lado, sabe-se que a UNIMED tem algumas centenas de cooperados, quiçá milhares, sendo insignificante a representatividade dos quatros vereadores quando considerados isoladamente em face do quadro de filiados.
Tenho que a situação de cooperado, titular de cotas da cooperativa, assemelha-se à condição de acionista minoritário de uma empresa constituída sob a forma de sociedade anônima, em que o universo de acionistas, à semelhança do universo de cooperados, caracteriza uma relação cooperado/cooperativa ou acionista/empresa totalmente impessoal, que desautoriza qualquer possibilidade de vinculação personalística, o que é significativamente diferente do caso de sociedades empresarias de responsabilidade limita.
Deste modo, penso que, abstratamente falando, o “interesse pessoal” capaz de caracterizar o impedimento ou suspeição do vereador, afastando-o compulsoriamente da votação, deve ser limitado a situações de normas de efeitos concretos em que o interesse pessoal possa ser direta e objetivamente demonstrado, como seria o caso, por exemplo, de norma dessa natureza cujo destinatário, exclusivamente ou dentro de um universo reduzido de beneficiários, seja parente do vereador em grau que caracterize a prática de nepotismo, além de outras hipóteses, que devem ser analisadas casualmente.
Ressalvo, porém, a hipotética situação em que vereadores indiretamente interessados na matéria legislativa tenham agido por propósitos escusos, como o recebimento de vantagens ilícitas, ou então que proporcionem benefícios absurdos em favor da cooperativa, revelando uma nítida relação de promiscuidade entre o vereador e a entidade.
Neste aspecto, voltando a atenção para o caso aqui tratado, é preciso analisar o mérito da alteração legislativa, para concluir que a nova disciplina logrou estipular parâmetro razoável de tributação. Em reforço deste arremate, veja-se que, nos termos da cópia do parecer acostado aos presentes autos, o Ministério Público já havia se manifestado no Processo n. 9.307/98 (7ª. Vara da Fazenda Pública – UNIMED x Município de Natal – Ação Declaratória de Inexistência de relação Jurídica tributária), no qual a UNIMED pleiteava isenção total do pagamento de ISS, tendo o ilustre Promotor de Justiça opinado pela inexigibilidade de débito decorrente da cobrança de ISS “sobre as atividades desenvolvidas (...), por se tratar de hipótese de não-incidência tributária”, enquanto que, em sentido diverso, a disciplina legislativa em debate estabeleceu uma nova base de cálculo do tributo, longe de conceder sua isenção.
Assim, tenho que não restou configurado o “interesse pessoal” de que trata do Regimento Interno da Câmara de Vereadores.
De qualquer modo, cabe ainda aludir ao precedente do Supremo Tribunal Federal formado no julgamento do MS 21.623, em que o ex-Presidente Fernando Collor buscava obter tutela jurisdicional para afastar do julgamento do processo de impeachment senadores que, na sua ótica, seriam impedidos ou suspeitos, nos mesmos moldes aplicados aos magistrados.
Concluiu a Suprema Corte que as regras de suspeição e impedimento típicas dos magistrados não poderiam ser aplicadas aos parlamentares, sob os seguintes fundamentos, que foram extraídos dos votos dos Ministros Carlos Veloso e Octávio Galotti:
1) “A participação dos Senadores como juízes no processo por crime de responsabilidade do Presidente da República, por isso mesmo, é conatural ao mandato representativo de que se acham investidos, o que leva a reduzir as incompatibilidades, quando existam, a hipóteses excepcionalíssimas”;
2) A tese da suspeição e do impedimento embaraçaria “o exercício pleno do mandato parlamentar, impedindo a manifestação de membros do Congresso Nacional em torno de assunto de extrema relevância na Política Nacional” ou inviabilizaria “o exercício pelo Poder Legislativo de competência que lhe é conferida diretamente pela Constituição da república”;
3) “A disciplina das suspeições e impedimentos, segundo as leis processuais comuns (civis ou penais), pressupõe um sistema regular de substituições (normalmente a cargo de Juízes de grau inferior), que, de modo algum, encontra paralelo nas Casas do Parlamento”, de modo que transplantar as regras de impedimento e suspeição para o “Senado (como para a Câmara), seria paralisar-lhe a atuação”, já que não existe previsão constitucional de convocação de suplentes para esta situação.
Diante do exposto, promovo o arquivamento do presente procedimento, determinando sua remessa ao Conselho Superior do Ministério Público, após a comunicação da presente deliberação aos vereadores representantes e representados e à UNIMED. Anotações de estilo no livro de registro e distribuição de procedimentos.
Natal (RN), 23 de abril de 2009
Giovanni Rosado Diógenes Paiva
Promotor de Justiça
Integração ensino-pesquisa-extensão: a experiência saúde e cidadania
Palestra: " Integração ensino-pesquisa-extensão: a experiência saúde e
cidadania", com o Professor Antônio Medeiros Júnior, que se realizará no
dia 08 de maio de 2009, às 14h, no auditório da Biblioteca Central Zila
Mamede.
Ana Tânia Sampaio assume secretaria de Saúde de Natal
A nova titular da Secretaria Municipal de Saúde, a enfermeira Ana Tânia Lopes Sampaio, toma posse do cargo nesta quinta-feira (07), às 11h, no Salão Nobre do Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura do Natal. Atualmente vice-presidente da Associação Brasileira de Enfermagem, seccional do Rio Grande do Norte, e professora e coordenadora do curso de Enfermagem da Facex, Ana Tânia assume a secretaria elegendo prioridades de curto, médio e longo prazo para cumprir.
“Temos consciência de que é um grande desafio, mas nossa prioridade de curto prazo é colocar a rede para funcionar de forma que o usuário chegue às unidades e seja atendido de forma eficaz e qualificada. Vamos investir também nas ações de proteção e promoção à saúde em conjunto com a educação, porque acreditamos serem ferramentas eficazes para inverter esse quadro existente hoje na rede pública municipal”, definiu a nova secretária.
Outro projeto de Ana Tânia é dar autonomia financeira aos distritos municipais de Natal, para que essas unidades não tenham que passar pelo processo burocrático que passam hoje na hora de equipar os locais de atendimento. “Também vamos informatizar a rede para que ela funcione de forma equitativa e ágil”, acrescentou.
Ana Tânia Lopes Sampaio formou-se em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e especializou-se em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Também fez especialização em Educação em Saúde na Universidade de Ribeirão Preto, além de ter se aperfeiçoado em Ativação de Processos de Mudança na Formação Superior de Profissionais da Saúde, ainda pela ENSP/Fiocruz. É mestre em Enfermagem e doutora em Educação pela UFRN.
Servidora do Ministério da Saúde/Funasa desde 1986, Ana Tânia foi secretária municipal de Saúde de Macaíba entre os anos de 1993 e 1996, mesma época em que foi presidente do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde do RN (Cosems) . Atuou ainda como coordenadora de Educação em Saúde na Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, entre os anos de 1997 e 2003.
Em seu currículo ainda constam a posição de tutora do Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde (PITS) do Ministério da Saúde, de 2001 a 2003, e da Coordenadoria de Educação em Saúde do Ministério entre os anos de 2004 e 2006. Atualmente Ana Tânia é vice-presidente da Associação Brasileira de Enfermagem no RN, cargo que ocupa desde o ano passado, assim como o de professora e coordenadora do curso de Enfermagem da Facex. Este ano se tornou consultora em gestão do Sistema Único de Saúde no município de São Gonçalo do Amarante, de onde sai para ocupar o cargo de secretária municipal de Saúde de Natal.
Na tarde desta quinta-feira a prefeita esteve reunida com a nova secretária de Saúde, Ana Tânia e com a secretária adjunta, Lecy Fernandes.
Fonte: Assessoria de Comunicação
terça-feira, 5 de maio de 2009
Contra a Passagem de Ônibus
Isso, claro, se a população natalense não fizer nada...
Nossa prefeita está vendida às empresas de ônibus e de construção civil.
Comunidade contra o aumento das passagens.
Fiquemos atentos às manifestações.
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=87382370
segunda-feira, 4 de maio de 2009
EXCLUSIVO PARA A PREFEITA
domingo, 3 de maio de 2009
Estudantes espancados e presos em manifestação pacífica em Feira de Santana
"No dia 24 de abril a passagem de ônibus aumentou para R$ 2,00 reais, uma das maiores passagens de ônibus do nordeste e uma das maiores do Brasil, levando ainda em conta o seu trajeto e o número de habitantes (aproximadamente 600.000). Isso fez com que o movimento estudantil fosse para as ruas. A manifestação contou com uma boa quantidade de pessoas e se mostrou pacífica em todos os momentos, sempre denunciando a falta de respeito da prefeitura de Feira de Santana (Tarcísio Pimenta) com a população feirense e sua insensibilidade às causas populares.
Assim, a manifestação se iniciou numa das principais escolas estaduais da cidade, passando pela empresa de ônibus monopolizadora da cidade (SINCOL), onde ovos e tomates foram rumados pela população. Após, o movimento foi em direção à prefeitura onde o trânsito foi fechado por cerca de uma hora. Neste local um de nossos companheiros foram levados à delegacia para esclarecer atos de vandalismo (????), sendo acompanhado por outros companheiros, inclusive eu, que pude atestar que esta era uma tática em que a polícia queria nos oprimir para que em troca de nossa liberdade abafássemos o movimento. Após muita conversa e a liberação, o ato continuou e descemos para o terminal de transbordo central, que leva o nome do dono da SINCOL (empresa que monopoliza os ônibus de Feira de Santana). A polícia esvaziou o terminal mudando as rotas dos ônibus. Mesmo assim os estudantes entraram, mas sem nenhuma resistência da polícia mantendo o terminal aberto para entrada dos ônibus para que as pessoas pudessem seguir seus trajetos. Sem resistência? Ledo engano. Acabávamos de entra, como pássaros desesperados, na nossa gaiola.
Logo após a finalização do ato, quando as pessoas estavam se dispersando e se tornando alvos fáceis, duas viaturas e várias motos da tropa especial da polícia militar apunhalaram brutalmente um de nossos companheiros batendo e imobilizando, sendo arremessado no fundo do “navio negreiro”. Assim, os militantes entraram em confronto com a polícia recebendo socos, pontapés e arremessados no chão, com a cara contra a sarjeta, sendo ameaçados, por todo o tempo, com armas dos mais variados calibres. Assim, 5 camaradas foram levados à delegacia e liberados ao fim da tarde.
Uma vez me disseram que eu era radical. Radical? Radical é o governo que deixa a população na miséria e bate quando os lucros das oligarquias estão sendo feridos. Radical é o sistema e sua lógica de produção exploradora. Radical é a opressão social, racial e também física que sofremos no dia-a-dia.
Polícia, não é para ladrão, não é pra ninguém e sim pra reprimir o povo!
“Hay que endurecerse pero sin perderla ternura Jamás” Che
Uma das prisões foram registrada e já podem ser vistas:
http://www.youtube. com/watch? v=z4LxoHd61CE
Outros vídeos foram feitos, mas ainda n estão disponíveis.
Ubiratan Lira de Souza
Diretório Acadêmico de Medicina de Feira de Santana (DAMEFS)
Diretório Central do Estudantes da UEFS (DCE-UEFS)
OUSAR - Lutar Quando a Regra é Ceder"
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O dramaturgo Augusto Boal, de 78 anos, morreu hoje (2), às 2h40, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, vítima de insuficiência respiratória. Boal sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril, com infecção respiratória.
O corpo do dramaturgo foi levado para o Cemitério do Caju, na zona portuária da cidade, onde será cremado.
Nascido em 1931, no subúrbio carioca da Penha, Boal se formou em engenharia química e foi o fundador do Teatro do Oprimido. Já debilitado, recebeu em março deste ano o título de embaixador mundial do teatro, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Preso e exilado durante a ditadura militar em 1971, Boal retornou ao Brasil 15 anos depois, a convite do então secretário de Educação do estado do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro.
Em 1986, criou em parceria com artistas populares o Centro de Teatro do Oprimido (CTO-Rio), para difundir seu método de dratamurgia no país. Hoje esse modelo teatral, que transforma o espectador em ator, é praticado em todo o mundo.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
gostaríamos de convidar a todo corpo discente e docente a participarem do II Congresso Norte-Nordeste de Epidemiologia e Controle das Infecções Hospitalares.
Para maiores informações, acesse o site: http://www.anoreh.org.br/ ou com os estudantes:
Camila Perreira - 4° período Medicina/UFRN
Jocélio Ramalho - 4° período Medicina/UFRN
Thalita Rafaela - 4° período Medicina/UFRN
Rafael Dantas - 3° período Medicina/UFRN
Jornal da DENEM
confiram a nova edição do Jornal da DENEM, Direção Executiva Nacional dos Estudantes Medicina, na coluna à direita. E assim mantenha-se informado.
Boa leitura!!!
Carta de Mossoró em Defesa de uma Saúde Pública, Universal, Gratuita e de Qualidade. Pela Escolarização do Hospital Regional Tarcísio Maia!
Durante a ocasião, mais especificamente no dia 20 de Abril, os participantes do XV EREM-Mossoró, em articulação com os movimentos sociais da cidade, em especial o SINDSAUDE e o Coletivo de Mulheres 8 de Março, realizaram Ato Público em Defesa da Saúde Publica, Universal, Gratuita e de Qualidade.
Em tempos de privatização da saúde publica, é necessário que os movimentos sociais se articulem em torno da efetivação do projeto do Sistema Único de Saúde, sempre com uma visão critica de como ele se desenvolveu no decorrer dos mais de seus 20 anos de existência.
Apesar das vitórias conquistadas com a criação de um Sistema de Saúde Gratuito e com Princípios Universais, as previsões de que a complementaridade
do setor privado se espalharia como uma “erva daninha” no SUS se confirmaram. Fora previsto que tal setor penetraria dentro do Sistema, servindo-se dele de modo utilitarista, especialmente na atenção secundária e terciária à saúde, caracteristicamente de média e alta complexidade, de alto custo e de vultuosos lucros.
Mas a malignidade da situação não se encontra no maniqueísmo “público-privado”, mas sim no ciclo vicioso que o financiamento de clinicas particulares para a prestação de serviços provoca. Citamos como exemplo a hemodiálise, procedimento de altíssimo custo para o Sistema requerido por pacientes renais crônicos. Com o atual modelo de prestação de serviços, as verbas alocadas para procedimentos de baixa e média complexidade, que evitariam que pacientes diabéticos e hipertensos se tornassem renais crônicos, são insuficientes, aumentando cada vez mais o número de indivíduos que necessitam de diálise, reduzindo inevitavelmente as verbas para a prevenção e promoção à saúde.
Paralelo a isso, surgiu o fenômeno das cooperativas médicas, que particularmente ganharam destaque dentro do cenário do Rio Grande do Norte. As cooperativas, que inicialmente surgiram para proteger os profissionais contra os abusos dos planos de saúde, representam hoje “a privatização da privatização”: não só o sistema deve pagar pelo procedimento ao hospital privado, no qual já está embutido o valor do profissional, como também deve pagar a este através da cooperativa, pagando-o, assim, duplamente e criando um modelo de assistência à saúde insustentável.
Como conseqüência disso, faltarão inevitavelmente verbas para outros setores da saúde publica Mossoroense, levando a graves problemas, como a falta de medicamentos básicos nos postos de saúde, ausência de verbas para a valorização e capacitação profissional, número de procedimentos insuficiente para a demanda na assistência etc.
Em virtude disso, interpretamos que o desvio de verbas públicas para hospitais particulares é sobremaneira patológico e incoerente com a proposta do Sistema Único de Saúde. Defendemos, deste modo, que mais Verbas Públicas sejam destinadas aos Hospitais Públicos, reduzindo progressivamente a necessidade do SUS-Mossoró do Setor privado de saúde e, aos poucos, nos livrando desse “ciclo vicioso”.
Deste modo, defendemos o processo de Escolarização do Hospital Regional Tarcísio Maia, conveniado a Universidade Estadual do Rio Grande do
Norte, privilegiando, com isso, usuários, profissionais do serviço e a formação dos Futuros médicos da referida Universidade.
O Tarcísio Maia já é referência regional em procedimentos de média e alta complexidade. Para a escolarização, seria necessário o investimento maciço em infra-estrutura e pessoal, aumentando a qualidade e quantidade de procedimentos realizados no próprio hospital, reduzindo, com isso, cada vez mais a dependência do SUS local em relação ao setor privado.
Os profissionais do Hospital, por sua vez, que se encontram há mais de 3 anos sem reajuste salarial, receberiam bonificação com a mudança de modelo de gestão, aumentando, por conseguinte, a qualidade do atendimento e a satisfação no trabalho. Alem disso, seriam melhoradas as condições de trabalho da instituição.
Um hospital escola é de fundamental importância para a consolidação do conhecimento numa Faculdade de Medicina, oferecendo para os acadêmicos condições básicas de estudo, que vão desde uma biblioteca local a uma residência médica no hospital regional, propiciando uma melhor formação do profissional, bem como sua fixação na região.
Deste modo, pelos inúmeros benefícios advindos, o processo de escolarização do Hospital Regional Tarcisio Maia deve ser uma luta de toda a sociedade Mossoroense e Potiguar. Aliado a outras medidas, será um grande avanço para a consolidação de um Sistema Único de Saude Público, Universal, Gratuito e de Qualidade para todos e todas!
“Nas Ruas, nas praças, quem disse que sumiu?
Aqui está presente o Movimento Estudantil.”
Centro Acadêmico Carlo Ernani Rosado Soares – CACER
Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina - DENEM
domingo, 26 de abril de 2009
Justiça determina fim de atividades da Faculdade de Medicina de Garanhuns
Em São Paulo
A Justiça Federal de Pernambuco suspendeu as atividades da Fameg (Faculdade de Medicina de Garanhuns), que fica a 229 quilômetros de Recife, após ação ajuizada pela União e pelo Ministério Público Federal. A instituição era mantida pelo ITPAC (Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos) e funcionava desde junho de 2008 sem autorização do MEC (Ministério da Educação).
As atividades da Fameg devem ficar suspensas "até que seja devidamente autorizado o seu funcionamento pelos órgãos competentes, mormente pelo MEC", segundo sentença da juíza Amanda Gonçalves Stoppa, proferida em 22 de abril.
Em junho do ano passado, o CFM (Conselho Federal de Medicina) denunciou a abertura irregular do curso.
O ITPAC argumentava que tinha autorização do Conselho Estadual de Pernambuco. A justiça Federal confirmou, no entanto, que a competência para a autorização, credenciamento, reconhecimento e supervisão de instituições de ensino superior privadas é de responsabilidade da União.
A juíza também condenou o ITPAC a devolver o dinheiro dos alunos com inscrição no processo seletivo, matrícula e mensalidades, além de ter de ressarcir por danos morais cada estudante prejudicado com R$ 10 mil. A Fameg havia efetuado matrícula de 60 alunos.
Caso a instituição descumpra a determinação judicial e continue a funcionar sem autorização devida, terá de pagar multa diária no valor de R$ 10 mil.
O UOL Educação não conseguiu contato com a Fameg.
* Com informações do MEC e da Agência Brasil
terça-feira, 21 de abril de 2009
Arquivo da Maternidade Escola Januário Cicco
O Centro Acadêmico de Medicina Nelson Chaves (CANECA) vem, por meio desta, requerer providências com relação à difícil situação em que se encontra o Arquivo da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC).
As pesquisas acadêmicas realizadas no arquivo da MEJC estão provisoriamente suspensas devido à falta de espaço físico necessário para a coleta de dados por parte dos pesquisadores e para o trabalho dos funcionários que lá estão diariamente, prejudicando não só as pesquisas, que contribuem para o engrandecimento acadêmico e para o renome da Universidade, como também o ambiente de trabalho desses funcionários, que se encontram insatisfeitos.
Tal fato está ocorrendo devido à aquisição de novas e modernas estantes de arquivo sem, no entanto, ter havido aquisição de pastas necessárias para serem colocados os documentos e prontuários que se encontram nas antigas e volumosas estantes. Portanto, não há espaço para a circulação das pessoas, nem para o trabalho dos acadêmicos que lá realizam pesquisas.
Além disso, estava havendo acesso de estudantes de uma Universidade particular da cidade no arquivo da MEJC, fato que superlotou os pequenos espaços físicos restantes e contribuiu para a decisão da suspensão de todas as pesquisas acadêmicas.
Compreendemos ainda que essa situação prejudica não apenas a dinâmica acadêmica, mas também o serviço, o processo de trabalho dos profissionais que ali se encontram e constitui-se em um risco aos usuários, pela possibilidade de extravio dos seus registros de saúde.
Solicitamos uma reunião conjunta entre representantes do CANECA e a direção do MEJC para buscar uma solução de consenso e mais rápida possível para o problema. Esta reunião objetiva discutir a adequação do espaço dentro de um prazo definido e acordado com data firmada para o retorno das pesquisa de modo a evitar os prejuízos decorrentes da descontinuidade das ações e atrasos nos calendários previstos nos editais e nos trabalhos de conclusão de cursos e criar condições de trabalho adequadas aos funcionários. Além disso, reinvidicamos formalização,e explicitação, no seu plano de desenvolvimento institucional, da priorização dos alunos da UFRN, seguida daqueles de outras universidades públicas do Estado, e por último de instituições privadas, para realização de atividades de pesquisa e extensão.
As atividades voltadas aos alunos da nossa instituição não podem ser preteridas em relação às demais, visto que, se trata de maternidade-escola da UFRN, portanto campo não apenas de ensino e extensão, mas também de pesquisa para seus alunos e professores.
Programação da Mostra SUS/RN está em fase de finalização
A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) está na fase de fechamento da programação da "Mostra SUS/RN", que será realizada no período de 27 de maio a 5 de junho, no Centro Municipal de Referência em Educação Aluízio Alves (Cemure), situado no bairro de Nazaré, em Natal. O evento é uma promoção do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Sesap, em parceria com o Ministério da Saúde.
Com o tema central "Transformando práticas, humanizando o SUS/RN",o evento irá englobar a Mostra Interativa Nacional da Política Nacional de Humanização (PNH), o II Seminário Estadual de Humanização, a III Mostra Estadual de Saúde da Família e a I Mostra de Experiências Bem Sucedidas no SUS, organizados em torno de três eixos principais: Redes de Cuidado em Saúde, Valorização do Trabalho e Saúde do Trabalhador e Metodologias Participativas.
A "Mostra SUS/RN" contará com conferências, mesas-redondas e apresentação de trabalhos e vídeos, além da exposição interativa, de iniciativa da PNH, do Ministério da Saúde, que vem percorrendo as capitais brasileiras, para divulgar os 20 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), através de vídeos, fotografias e rodas de conversa com usuários, gestores e trabalhadores.
Segundo a técnica do Núcleo de Humanização da Sesap, Acácia Cândido, "o objetivo principal do evento é mostrar que o SUS pode ser empreendido na prática, divulgando várias experiências locais e nacionais bem-sucedidas, assim como debater com toda a sociedade os princípios do SUS, atentando para a importância da participação social na consolidação do sistema".
A Mostra Interativa Nacional da PNH será aberta à visitação de todos, já os demais eventos, que ocorrerão entre os dias 27 e 29 de maio, requerem inscrição prévia, havendo 500 vagas. O período e local de inscrição tanto para a participação, quanto para a apresentação de trabalhos serão divulgados em breve.
Fonte > www.rn.gov.br / SESAP / NOTÍCIAS
Repórter: Elisabete Canuto
domingo, 19 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Debate de Reforma Psiquiátrica - crítica ao texto de ferreira gullar
http://www.unb. br/noticias/ unbagencia/ unbagencia. php?id=1547
ENTREVISTA
“Ferreira Gullar ignora a inserção social do doente mental”
Poeta publicou artigo criticando Lei de Saúde Mental e fechamento de hospitais psiquiátricos. Professor da UnB rebate
Leonardo Echeverria - Da Secretaria de Comunicação da UnB
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O poeta Ferreira Gullar publicou, no dia 12 de abril, um artigo no jornal Folha de S. Paulo em que critica de forma violenta a Lei da Saúde Mental, instituída em 2002. Pai de dois doentes mentais, o poeta defende a necessidade de internação de pacientes esquizofrênicos, que podem ameaçar a própria vida ou a de familiares. "É hora de revogar essa lei idiota que provoca tamanho desastre", escreve.
O artigo provocou polêmica nos meios médicos, governamental e acadêmico. Mesmo dois dias depois da publicação do artigo, metade da seção de cartas do jornal é ocupada pelo assunto. A relevância do tema pode ser medida pelo fato que, no Brasil, cerca de 6% da população sofre de transtornos mentais severos.
Em entrevista à UnB Agência, Ileno Izídio, professor do Instituto de Psicologia, aponta os erros cometidos por Ferreira Gullar e questiona os motivos do poeta para criticar uma reforma pedida pelos movimentos sociais há mais de 20 anos.
Roberto Fleury/UnB Agência (arquivo)
UNB AGÊNCIA - É errado internar pacientes com doenças mentais?
IZÍDIO - O artigo do Ferreira Gullar está completamente equivocado. Ele não deve nem ter lido a Lei 10.216/02. A lei propõe o desmonte dos hospitais psiquiátricos tradicionais e transformar esses leitos em leitos para internação em hospitais gerais, em atendimentos nos centros de atenção psicossocial (CAPs), em centros de convivência e em residências terapêuticas. É óbvio que ele deve ter sido beneficiado com a internação dos filhos dele, porque gente louca dentro de casa incomoda.
UNB AGÊNCIA - O poeta chamou o deputado que propôs a lei de “cretino”, porque não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, devido a ameaças de agressão.
IZÍDIO - Nem todo esquizofrênico é violento, nem todos os casos precisam de internação, e a lei propõe que nesses casos a internação seja feita em hospitais gerais. Lá a enfermaria psiquiátrica vai cuidar dele durante a crise. Depois o paciente volta para a sociedade e para os equipamentos que a lei propõe: CAPs, hospitais-dia. A idéia é que a internação dê conta da crise. Controlada a crise, um mês, dois meses depois, usa-se outros mecanismos.
UNB AGÊNCIA - No artigo, diz-se que o tratamento ambulatorial só serve para os casos menos graves.
IZÍDIO - Ferreira Gullar está ignorando o lado da inserção social do doente. Se ele tivesse um filho em crise e precisasse interná-lo, o filho ficaria 30 dias no hospital geral, e depois seria encaminhado a um CAP perto da casa deles. O Ferreira Gullar teria que ir na terapia familiar conversar sobre o problema do filho, e não simplesmente delegar o problema para os outros. Isso é uma coisa completamente diferente de exclusão do doente do convívio em sociedade. O poeta está criticando a lei, mas está esquecendo a sua própria responsabilidade sobre os filhos esquizofrênicos. Ele prefere delegar para os hospitais psiquiátricos. Vai manter o filho eternamente dentro do hospital?
UNB AGÊNCIA - O senhor participou do movimento que apoiou a Reforma Psiquiátrica. Como se deu essa quebra de paradigma, de diminuir as internações?
IZÍDIO - O que está errado no princípio da internação é que a crise e o surto psicótico cessam, e a pessoa continua internada. A luta do movimento social vem desde 1987. O Ferreira Gullar não sabe disso, porque ele não participou do movimento. Quando ele critica a lei, ele critica o movimento social. Ainda existem mais de 20 hospitais psiquiátricos no país, ao contrário do que o artigo diz, e são terríveis, manicômios tradicionais. Gullar não tem conhecimento da realidade, conhece só a realidade do filho dele. Esses hospitais já foram denunciados pelo Conselho Federal de Psicologia e pela Ordem dos Advogados do Brasil.
Roberto Fleury/UnB Agência (arquivo)
UNB AGÊNCIA - O senhor diz que Ferreira Gullar critica a lei sem conhecê-la. Então qual seria a reivindicação?
IZÍDIO - Eu gostaria de ter atendido um dos filhos do Ferreira Gullar em momentos de crise, para saber quem é o Ferreira Gullar como pai. Eu trabalho com famílias e sei bem como a família constrói a loucura nas pessoas. Até que ponto existe a responsabilidade da família nos problemas que se quer delegar aos hospitais? Eu acho que o poeta precisa entrar em um processo de entender como os problemas mentais dos filhos se construíram com a participação dele. A pessoa que mais pode ajudar um filho é o pai, que conhece mais os filhos que os médicos do hospital. Eu me pergunto: quem o poeta está defendendo?
Uma lei errada - Ferreira Gullar
Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, "repressão burguesa" para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias "avançadas" ou "libertárias", quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade.
Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles". E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: "Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu".
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra "manicômio", já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou "solitárias" para segregar o "doente furioso". Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de "repressão burguesa", resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia) , que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.
(Mais um contribuição para o debate da Reforma psiquiátrica. Folha de São Paulo)
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Psiquiatra: o advogado da loucura
A loucura ao longo da história da humanidade teve ligada a si diversas imagens, mitos e medos. Só a partir do século XVIII é que surge o conceito de doença mental e junto com ele o médico que cuidaria destes enfermos, o alienista. Philippe Pinel é quem pela primeira vez, vai separar os loucos dos detentos que até então eram excluídos juntos da sociedade, para então excluí-los em separado nos asilos.
No século XIX, o paradigma médico da loucura ganha força, e os esforços em descobrir suas origens e cura junto a criatividade humana geram os tratamento mais excêntricos como duchas, choques insulínicos, psicocirurgias. Ao longo de todo este século e adentrando o próximo, o modelo asilar, baseado na exclusão e castração mental do doente, continuará hegemônico. Em meados do século XX é que as contradições deste modelo começam a ser levantadas, e alternativas propostas.
No Brasil, o movimento da reforma psiquiátrica corre em paralelo ao da reforma sanitária, agregando usuários, familiares, trabalhadores e até gestores a favor da causa de uma assistência à saúde mental baseada na reinserção social, na quebra de preconceitos e no desenvolvimento da autonomia do sujeito. Só em 2001 isto é consolidado legalmente na lei Paulo Delgado, que dita as diretrizes para as políticas nacionais de saúde mental. Nesta lei estão previstos os serviços substitutivos do hospital psiquiátrico, como Centro de Atenção Psicossocial ( CAPS), Hospitais-dia, residências terapêuticas, além da progressiva redução dos leitos em hospitais psiquiátricos.
No entanto, do papel à vida real há um longo caminho. Apesar do respaldo jurídico, a reforma psiquiátrica brasileira tem caminhado a passos lentos e de forma heterogênea pelo Brasil. Enquanto temos o caso de Campinas, onde não há mais manicômios, temos inúmeras cidades e estados em que assistência é quase que totalmente à custa dos hospitais psiquiátricos. E por que isso?
Um primeiro ponto a ser analisado é a questão de a quem não interessa o andamento da reforma. A classe médica em sua maioria é reticente a este processo por enxergar, de maneira míope, na proposta de assistência multidisciplinar uma perda de mercado para os psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e outros tantos profissionais que foram incorporados a um território que antes era domínio exclusivo do psiquiatra. Portanto, para os psiquiatras muitas vezes é mais interessante continuar do jeito que sempre foi, mesmo que isso não seja terapêutico.
O segundo ponto, de certa forma conseqüência deste primeiro, é o conservadorismo da academia no ensino da psiquiatria. Em grande parte das escolas médicas o modelo assistencial que continua sendo passado é o do tradicional manicômio, com nossos professores ignorando solenemente as outras propostas de serviços assistenciais. Com isto temos a reprodução deste pensamento hegemônico de que o tratamento à doença mental é feito preferencialmente no hospital, excluindo o sujeito da convivência familiar e social. E assim, a reforma avança ainda menos, pela falta de médicos em sintonia com seus ideais e dispostos a trabalhar nesta nova perspectiva.
O terceiro ponto, talvez o mais nevrálgico, é a representação social construída por séculos em cima da loucura, que dificulta a aceitação destes novos modelos por parte não só dos profissionais, mas dos familiares, vizinhos e até dos próprios pacientes, afinal é sabido por todos que lugar de doido é no hospício. Daí o desafio hercúleo ao profissional de saúde mental de mudar toda uma cultura de estigmas e estereótipos que cercam a doença mental.
E qual o papel do movimento estudantil de medicina nisto tudo? Creio que até o momento que somos privados deste conhecimento podemos nos furtar da responsabilidade. Estamos alienados. Mas a partir do momento em que conhecemos e real situação em que vivem os supostos alienados, não podemos mais nos omitir. Temos que decidir de que lado ficaremos. Do lado de um modelo de assistência fracassado e desumano, que serve a interesses dos donos de grandes manicômios, que destrói a dignidade dos usuários, ou do lado destas pessoas que além de ter suas vidas muitas vezes dilaceradas por doenças que afetam o sentir, as emoções a razão, ainda sofrem toda uma série de preconceitos e violências, mas que podem, com a ajuda de um modelo de assistência que lhes preserve a autonomia e individualidade, ter uma vida plena e feliz, como cada um de nós. E então, como se lida coma saúde mental em sua cidade?
Ana Carolina Pieretti
Centro Acadêmico Nelson Chaves – UFRN
Henrique Gonçalves
Centro Acadêmico Nelson Chaves - UFRN
(Texto produzido para o Jornal da DENEM e para o Caderno de textos do EREM - Mossoró)
segunda-feira, 6 de abril de 2009
7 de abril, dia mundial da saúde
>Dia: 07/04/2009 (3ª feira)
> Local: concentração na Rua João Pessoa, esquina Av. Rio Branco.
> Hora: 15 horas Manifestações que ocorrerão em natal:
*Audiência pública pela aprovação do PL 2295/2000 que trata da regulamentação da jornada de 30 horas para os profissionais de Enfermagem.
> Dia: 07/04/2009 (3ª feira)
> Local: Assembléia Legislativa Natal
> Hora: 9 horas
sábado, 4 de abril de 2009
A DENEM, em reunião dos CA’s e DA’s de medicina do Brasil, vem por meio desta denunciar a perseguição política e criminalização que os estudantes vêm sofrendo por parte das diretorias das escolas, reitorias e governos. Entendemos que esta perseguição tem o objetivo de desmobilizar e deslegitimar a organização dos Estudantes que lutam contra as transformações que se processam na Universidade e no Sistema de Saúde Brasileiro, que se materializam nas privatizações e na precarização.
Em Juazeiro-CE, diante de absurdos cometidos pela direção da Faculdade de Medicina de Juazeiro, que tem como mantenedora a Estácio de Sá, o Centro Acadêmico não relutou em disputar por meio das vias legais os direitos dos Estudantes que representam, contra absurdos como o aumento injustificado de mensalidades, demissão de vários professores e cobrança ilegal por documentos acadêmicos. Em resposta, a direção da Escola promoveu uma série de medidas de retaliação contra o Centro Acadêmico, numa política de deslegitimação e perseguição política a esses estudantes, como a provocação dita pela direção de os estudantes bons estão estudando, não estão reclamando.
A Universidade Federal de São João Del Rei é outro espaço em que a criminalização do ME se faz presente. Durante o ano de 2008, os Estudantes se mobilizaram em torno de problemas evidentes de estruturação dos cursos e de relação com a gestão da universidade. As lutas se concretizaram como processo, e dois momentos foram marcantes: a ocupação da reitoria, por conta da mesma não ter praticado com determinada verba o que seria a demanda dos estudantes como assistência estudantil (no caso seria alimentação e a gestão tentou aplicar assistência médica e psicológica privada por tempo determinado) e a greve dos estudantes em Divinópolis, uma luta que se iniciou pela falta de responsabilidade, critério, conhecimento para construção dos cursos da área de saúde e, por fim, por falta de propostas e mudanças efetivas para os problemas básicos. Em ambos, Militantes foram processados e submetidos a pressões de caráter punitivo, gerando desconforto nos espaços de relação da universidade e inibição a críticas que ainda se fazem necessárias.
Sabemos que estas práticas por parte daqueles que lutam pela reprodução das desigualdades em nossa sociedade são comuns e não se limitam ao ME, mas se expandem para outros segmentos da sociedade organizados e combativos, como podemos observar no RS, em que o governo Yeda avança contra o MST. Destaca-se ainda o aspecto histórico de manipulação das “verdades”, que somente fortalecem os interesses de uma minoria, ludibriando a população.
A DENEM repudia essas ações, pois acredita na legitimidade da liberdade de expressão, garantida na constituição brasileira, entende e apóia as lutas dos estudantes, e se coloca contrária a qualquer forma de repressão, perseguição ou criminalização do movimento estudantil.
[documento produzido na ROEX-Salvador - Reunião de Órgãos Executivos da DENEM, onde todos os CA´s e DA´s do Brasil se encontram para articular o Movimento Estudantil de Medicina Nacionalmente]
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Manifesto contra a transposição do Rio São Francisco
O Projeto da Transposição do Rio São Francisco envolve o aspecto político, geográfico, social, ético, econômico, jurídico e ecológico. Todos estão interligados.
É politicamente incorreto, pois o organismo que responde pelas bacias hidrográficas - o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, instância decisória e legal - foi contrária ao projeto. Segundo nossa visão de mundo, o projeto peca por falta de embasamento, conteúdo e forma. Em resumo, o que é do interesse de todos, precisa do consenso da maioria.
Geograficamente, a área de influência do Projeto se restringe a apenas cerca de 5% do semi-árido nordestino, o que mostra que sua grandiosidade não tem uma correspondente em termos de abrangência. A população difusa do semi-árido não será beneficiada.
Socialmente, o Governo Federal não se preocupou em articular e integrar suas ações através de um Pacto político com os sete Governos Estaduais e com mais de 500 Governos Municipais envolvidos por problemas da região. O Projeto não foi discutido com praticamente ninguém. Ele veio de "de cima para baixo", em uma postura extremamente autoritária por parte do Ministro da Integração Nacional.
O aspecto ético: O Projeto alcançaria 12 milhões de pessoas - 268 cidades, entre elas Fortaleza, João Pessoa, Campina Grande e Caruaru, cidades que têm outras formas de melhorar o abastecimento público - e irrigaria 300 mil hectares de terras até o ano de 2020. Entretanto, 70% do consumo médio de água do Projeto vai ser direcionado para os pólos tradicionais de irrigação da região. O Projeto tenta ignorar a estrutura econômica, social e política que é a principal causadora do atraso e da miséria no nordeste brasileiro.
Economicamente: Uma análise de custo-benefício mostra que os 4,5 bilhões de reais (dado oficial. Na realidade poderá chegar a 20 bilhões de reais.) seriam aplicados em uma solução de engenharia hidráulica que desconsidera uma infra-estrutura hídrica contra a seca, já existente no semi-árido, bem como um razoável avanço ocorrido no sistema de coleta de água das chuvas.
Juridicamente: Intervenção sobre terras indígenas exige aprovação do Senado Federal. E há liminares na justiça cancelando a Licença Prévia obtida. Há cinco Estados doadores de água e quatro Estados receptores. Até hoje, não se estabeleceu quem pagará a quem, quanto e como. As referências legais ainda não foram devidamente esclarecidas (leis, normas e resoluções do Conselho Nacional de Recursos Hídricos).
Ecologicamente, a agronegócio, monoculturas e mineração estão dizimando milhares de nascentes e secando rios. As ações de revitalização na Bacia do Rio São Francisco vêm sendo manipuladas e proteladas pelos Governos Federal e Estaduais que continuam surdos aos argumentos de que "não se deve fazer a transfusão de sangue em um paciente que está anêmico". O problema do semi-árido se resolve com um Projeto de convivência com o Semi-árido, o que passa pela construção de 1 milhão de cisternas.
Um tema nunca mencionado é o do custo da energia elétrica necessária para bombear a água para altitudes que chegam a 300 metros e para distância de 750 Km. A operação do sistema será privatizada, envolvendo técnicas e custos que serão repassados para as tarifas.
Tecnicamente, não existe nenhum problema na execução da Transposição, estando a engenharia brasileira perfeitamente apta a construir estações de bombeamento, túneis, aquedutos e reservatórios. Entretanto, o que se questiona é a razão pela qual alternativas tecnológicas não foram, efetivamente, contempladas e seus respectivos custos não foram nomeados.
Um aspecto técnico importante, porém nunca mencionado, é o das grandes perdas da água por evaporação (três vezes maior que no centro-sul), em canais abertos de longas distâncias nas elevadas temperaturas durante o ano todo, no semi-árido.
Conclui-se que a obra não combaterá a injustiça social, a água não chegará à área mais carente do semi-árido e não beneficiará as famílias sertanejas que ali vivem. A obra é muito interessante para as firmas empreiteiras, projetistas e, principalmente, para os grandes irrigadores da região, produtores de hortifruticultura e camarão para exportação (hidronegócio).
O caso do Estado do Rio Grande do Norte merece destaque. Especialistas da UFRN comprovaram que o Projeto trará água para poucas regiões do Estado, que já a possuem com relativa abundância e que a irrigação consumirá 92% da água do Projeto, deixando de lado a questão do abastecimento difuso que está diretamente associado à calamidade provocada pelas secas e pelas cercas dos latifúndios.
Nossa conclusão é que a Transposição do Rio São Francisco - no atual contexto - não passa de mais uma obra faraônica e insana, planejada com recursos públicos e cujos benefícios serão dirigidos a um pequeno grupo de privilegiados, principalmente os grandes irrigadores da região, empresários do hidronegócio.
A Ordem dos Advogados do Brasil, a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a grande maioria dos cientistas brasileiros (de incontestável competência técnica) bem como a grande maioria das Igrejas cristãs e da própria CNBB, ao fazerem uma análise global dos vários aspectos do mega-projeto, se posicionaram contra o mesmo.
Extrato do livro SÃO FRANCISCO, um presente, de Frei Cláudio van Balen, Sérgio Bittencourt e Cláudio Guerra. Livro lançado dia 11/04, na Igreja do Carmo, em Belo Horizonte/MG. O livro pode ser adquirido pelo e-mail: pastoral@igrejadocarmo.com.br
Disponível em: http://www.adital.org.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=2199
segunda-feira, 30 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Monitória no Laboratório de Habilidades
Gostaríamos de informar que o Laboratório de Habilidades está com monitória de segunda à sexta, no horário de 11:30 às 12:30, com limite de 8 alunos por dia, sendo estes divididos em 2 grupos de 4 integrantes, ficando um monitor responsável por cada um.
A prática das próximas semanas será aferição da pressão arterial.
É preciso que os alunos interessados liguem para o laboratório até às 11:00 (3215-4257 ou 3215-4202) falar com a funcionária Cristina, para que ela agende a ida do mesmo . Assim como, o aluno que marcou sua ida, e não mas poderá fazê-la, deve ligar para desmarcar sua ida, e assim dá a oportunidade a outro aluno que queira participar naquele dia.
sexta-feira, 27 de março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Crise no Rio Grande do Norte: CNS exigirá respeito ao Controle Social
Após receber denúncia do Conselho Municipal de Saúde de Natal sobre a situação do Sistema Único de Saúde na cidade e no Estado, o CNS enviou, no início de março, uma comissão especial a fim de averiguar os fatos. Em Natal, os conselheiros se reuniram com o Secretário de Estado e Secretário Municipal de Saúde de Natal, Ministério Público, Sindicato dos Médicos, Conselho Regional de Medicina, Governadora, Prefeita e comissão de Vereadores, Fórum Estadual em Defesa do SUS, dentre outros. Além disso, os membros fizeram uma visita ao Hospital Universitário Onofre Lopes. “Em poucos lugares tivemos a oportunidade de reunir governadora e prefeita, o que mostra que há intenção de solucionar o problema”, lembrou a conselheira Maria Helena Machado.
A comissão apresentou, na manhã desta quarta-feira (11/03), ao plenário do CNS, um relatório com a situação encontrada e possíveis soluções.
Segundo a avaliação, apresentada no relatório, a fragilidade do Estado, ao longo do tempo, propiciou a fragmentação do Sistema de Saúde e a captura do mesmo por grupos ou corporações; há, hoje, uma competição permanente entre as secretarias municipal e estadual de saúde, o que possibilita a duplicação de competências, gerando ineficiência e desperdício de recursos financeiros; o Controle Social encontra-se fragilizado; não há observância dos instrumentos de gestão; o Complexo Regulador está frágil e há violação no campo do direito do trabalho e dos marcos regulatórios do SUS. Outra constatação é de que vem havendo uma substituição das instâncias de deliberação do SUS pela busca contínua do Ministério Público.
Jurandi Frutuoso, representante do Conass e membro da comissão especial, ressalta que o Rio Grande do Norte não vive uma crise, “é um estado já estabelecido há algum tempo”. Para Maria Helena Machado, Diretora do Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde (Degerts), parte significativa do problema está na área da gestão do trabalho e educação, “há pouca clareza e pouca comunicação”. Ela aponta a necessidade de reinstalação das mesas de negociação e ressalta que seu Departamento se colocou à disposição para colaborar no planejamento das ações.
Para o Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Marcelo Dantas de Medeiros, há um fragrante desrespeito às prerrogativas, resoluções e deliberações do CMS, CES e demais instâncias de deliberação e pactuação do SUS, “o princípio do SUS de participação popular foi quebrado”. Para o Presidente do Conselho Estadual, Francisco Canindê dos Santos, faltam ações estruturantes e respeito ao Controle Social do Estado, “nenhuma decisão tomada no CMS foi homologada pela prefeitura”.
Como proposta, apresentada e aprovada, pelo Plenário, algumas medidas devem ser tomadas no sentido de:
- Apoiar a SES e SMS na superação dos problemas estruturais e de gestão;
- Abrir um Fórum permanente de gestores da Região Metropolitana;
- Centrar esforços na construção de ações que repercutam na organização da assistência à saúde (CR, PDR, PPI, PDI);
- Fortalecer a gestão dos municípios com um curso básico de gestão do SUS;
- Fortalecer a parceria entre SMS de Natal e SES alinhando a atuação almejando melhores resultados na política de saúde;
- Reinstalar as mesas de negociação do SUS;
- Estruturar a atenção básica em Natal.
Acreditando que o cenário atual exige da sociedade e dos gestores diálogo e negociação para a solução dos conflitos, o relatório aconselha a construção de um pacto com a intermediação do CNS, do Conass e do Conasems e vai recomendar à prefeita e ao secretário municipal de saúde a realização de uma reunião com o Conselho Municipal de Saúde para prestar informações sobre a decretação do estado de calamidade pública, sobre a renovação dos contratos com as cooperativas e um plano de enfrentamento da crise. O plenário decidiu que tal recomendação seja entregue à prefeita em mãos e com a orientação expressa de que o Controle Social deve ser ouvido e respeitado em todas as questões relativas à saúde.
Ficou decidido, ainda, que o debate será ampliado de forma a envolver os legislativos estadual e municipal. Além de acompanhar o resultado da reunião, o CNS vai observar, também, todo o processo de recuperação da saúde pública no Rio Grande do Norte.
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Assessoria de Comunicação do CNS Fax: (61) 3315-2414/2472 | |
terça-feira, 10 de março de 2009
RESULTADO DO PET-SAÚDE
OBSERVAÇÕES:
• A Coordenação de curso convoca os estudantes abaixo para assinarem os termos de compromisso na Secretaria da Coordenação, até as 17:00h do dia 11/03/2009.
• Na eventualidade de haver vagas remanescentes de estudantes que não assinaram os termos de compromisso, serão convocados outros monitores, de acordo com a ordem de classificação, a partir de 12/03/2009.
• Nos casos de empate na Nota Final Classificatória (NFC), foi utilizado como critério de desempate o IRA.
NOME DOS MONITORES SELECIONADOS
Alexandre Barbosa Câmara de Souza
Antonio Anderson Fernandes Freire
Daniel Costa Rodrigues Farias
Fábio Aires Araújo
Fidel Castro Ferreira
Gabriela Carminhola Gomes Varela
GABRIELA LUCENA DE ARAUJO
HILKÉA CARLA DE SOUZA MEDEIROS
JOCÉLIO RAMALHO DA SILVA
José Maxwell Medeiros Souza
José Medeiros do Nascimento Filho
JULIANA BENTO DA CUNHA
Juliano José da Silva
KEIKO MACÊDO KITAYAMA
Laíse Pereira Arcoverde Fechine Brito
LARISSA CORREIA ALVES DA SILVA
Marcela Mara Eufrasio de Azevedo
Marcelo Amorim Araújo
Marina Ferreira Arruda Câmara
Miguel Rogério de Melo Gurgel Segundo
Pâmera Medeiros da Costa
Paulo Tarcísio de Albuquerque Cavalcanti Neto
Raphael Dantas Luz Peixoto
Rayanna Catarina Rêgo da Costa
Renata Mendes Vieira
THALITA RAFAELLA OLIVEIRA TRINDADE
TERESA RAQUEL DE LIMA COSTA
OBS: O RESULTADO COMPLETO ESTÁ AFIXADO NA COORDENAÇÃO DO CURSO
sábado, 28 de fevereiro de 2009
SELEÇÃO DE MONITORES PARA O PET SAÚDE
segue em anexo o edital para seleção de monitores bolsistas para o PET Saúde.
Serão ao todo, 27 vagas para alunos de Medicina.
O prazo de inscrição vai até o dia 03 de março.
As bibliografias sugeridas podem ser baixadas da internet ou solicitadas junto à secretaria da coordenação, por email, com exceção do projeto do PET-Saúde, que segue no mesmo arquivo em anexo, na sequencia do Edital.
Espero que participem.
Boa sorte
George Dantas
Coordenador do curso
Links das referências bibliográficas e edital, caso alguém ainda não tenha conseguido baixar:
http://www.4shared.com/file/89913657/f8c316d1/Edital_selecao_pet_saude.html
http://www.4shared.com/file/89905894/dfea5301/politica_nacional_de_ateno_bsica.html
http://www.4shared.com/file/89906014/b95275f/portariaINTERMINISTERIAL-1802-26agosto2008-PET-Saude.html
http://www.4shared.com/file/89907256/3acf307c/pro_saude1.html
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Crise na saúde atinge infectologia
"Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia
Federada da Sociedade Brasileira de Infectologia
Carta aberta à sociedade. Natal, 09 de fevereiro de 2009.
Venho por meio desta, externar minha preocupação frente a uma possível nova epidemia de Dengue devido ao inicio das chuvas no ano corrente. Da mesma forma que os pediatras, que vivem exclusivamente do trabalho intelectual, onde não há vínculos com procedimentos ou máquinas e, portanto, são mal remunerados, os infectologistas estão ausentando-se das atividades médicas.
Ontem recebi a noticias de mais uma profissional, de grande qualidade, que fecha seu consultório devido à desvalorização da especialidade. Consultas em valores de R$ 30 a R$ 40 reais, pagos pelos planos de saúde com direito a retorno, quantos forem necessários num período de um mês, fato que é o nosso dia a dia, pois lhe damos com doenças agudas e que necessitam de acompanhamento diário, como uma infecção urinária das que matou recentemente uma modelo, fazem com que paguemos para trabalhar. Um bom profissional da infectologia passa cerca de 40 min a uma hora com seus pacientes de primeira vez. Como eles retornam no dia seguinte, caso não tenha tido melhora, são mais cerca de 30 a 40 min de reavaliação pagos ainda pela consulta anterior e assim sucessivamente até a resolução.
Portanto, se eu atendo uma paciente por 2 a 3 vezes e seu caso teve resolução, cada consulta fica pelo valor bruto de R$ 10,00 em média. Se retirado os valores de ISS, IRPF, taxa de aluguel de sala fica quase nada por paciente. Imagine se preciso ver o paciente por mais vezes.
Essa conta leva a três caminhos. O primeiro leva com que os clínicos atendam a vários pacientes, para ter algum retorno financeiro, em tempo de 15 min, converse pouco, peça muitos exames, gerem custos para o serviço e tenha um imenso risco de errar o diagnostico e o paciente agravar. Outro caminho é ele descobrir que paga trabalhar e deixar a parte clinica, buscando outras formas de melhor remuneração como auditorias, plantões exaustivos ou até mesmo outras profissões. Na ultima forma, essa inadmissível, é buscar formas espúrias, como obter vantagens em relações com laboratórios ou industrias farmacêuticas.
Especialidades como pediatria e infectologia não atraem mais os estudantes, até porque, por suas características, não possibilita nem a formação de cooperativa de especialidade que tenha força de pressão. Em sendo clínicos do serviço publico e por não realizarem procedimentos, não possuem uma cooperativa que os permita exonera-se do serviço publico. Para dar um exemplo da atual realidade, das três vagas para o curso de especialização em Infectologia da UFRN em 2009, apenas uma foi preenchida, embora a disciplina de infectologia da UFRN já tenha sido avaliada, pelos próprios alunos, como a melhor do curso médico.
Medicina de sacerdócio está indo a óbito. Valores pagos aos médicos levam a se buscar a medicina do negócio. Devido às remunerações aviltantes do serviço público e valorização dos procedimentos em relação a consultas é que muitos éticos estão abandonando o barco e os nem tanto buscam a ilicitude. Desta forma a assistência a saúde trilha pelo caminho da valorização da maquina em relação à conversa, ao olhar, ao respeito, ao interesse pelo bem estar do outro, a volta do sorriso. Hoje temos apenas cerca de 10 a 15 infectologistas para atender toda a demanda de serviço privado de mais de 150 mil usuários. Por outro lado, no Hospital Giselda Trigueiro as escalas em quase todos os setores estão desfalcadas e há muitos profissionais não infectologistas cobrindo o plantão no pronto socorro, pois há mais de 10 anos não tínhamos concurso. No ultimo, das 15 vagas disponíveis, apenas 12 foram preenchidas e apenas metade destes deverão assumir.
Com a chegada das chuvas, mais uma epidemia de Dengue se desenha. O risco de outra grande epidemia com a chegada do vírus tipo 4, pode ocorrer a qualquer instante. Febre amarela urbana, Malaria urbana, Gripe aviária, Pandemia de gripe, infecções por bactérias multirresistentes, bioterrorismo com vírus do tipo Varíola são outros riscos constantes e passiveis de ocorrer com proporções imprevisíveis.
Desta forma parece que só resta agora as crianças, que precisem dos pediatras, e a toda a população que necessite de infectologistas para que Deus olhe por todos e que nenhum mal grande aconteça. Aos colegas médicos e a toda a sociedade, acho que chegou a hora de avaliarmos para onde está indo nossa medicina, pois no fim a população é que receberá mais essa fatura, não importa se do SUS ou dos planos de saúde.
Henio Godeiro Lacerda
Presidente da SRNI"
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pré-Trote Cidadão: Doação de Sangue e Medula 3/3. CB.
E não podíamos deixar de fazer nosso trote, a entrada dos calouros da UFRN tem que ser marcante!
Contrário, ao trote tradicional, o CANECA, juntamente com os CA´s da saúde e com a REDE (Articulação em Saúde) resolveram organizar o “trote” e o “pré-trote” cidadãos, eventos que abordam a questão do trabalho social do profissional em saúde.
Ainda em definição quanto ao local e data do trote cidadão, o pré-trote já está mais que definido. Terça feira, 3 de Março, durante todo o dia, uma unidade móvel do Hemonorte e voluntários do GACC estarão no Centro de Biociências (CB) para realizar a doação de sangue e o cadastramento de doadores de medula. O slogan do pré-trote é: “Você estuda a vida toda pra salvar uma vida. Salve-a agora. Doe sangue. Doe medula.”
Apesar de direcionado a calouros dos cursos de saúde, qualquer pessoa pode – e deve – doar.
Buscamos voluntários para nos ajudar no dia da doação com panfletos. Interessado, envie um e-mail com telefone pra camedufrn@gmail.com
Mas eu posso doar sangue ou medula?
Eis os pré-requisitos para:
&Doação de medula:
*Ter entre 18 e 60 anos;
*Portar RG e CPF.
p.s.: na verdade, “doação de medula” é uma doação de “medula”. Trata-se da retirada de apenas uma seringa de sangue para o cadastramento no banco do hemonorte. Você só doará medula caso encontre alguém compatível. Você só sentirá dor se tiver que salvar uma vida...
&Doação de sangue
*Estejam documentadas (com carteira de identidade ou outro documento equivalente);
*Tenham boas condições de saúde;
*Tenham entre 18 e 60 anos;
*Pesem, no mínimo, 50 quilos;
*Não tenham ingerido bebidas alcóolicas nas 24 horas que antecedem a doação;
*Tenham dormido, pelo menos, seis horas nas últimas 24 horas;
*Não sejam usuários de drogas;
*Não tenham múltiplos parceiros;
*Não tenham doença hematológica, cardíaca, renal, pulmonar, hepática, diabetes, hipertireoidismo, hanseníase, tuberculose, câncer, sangramento anormal ou epilepsia;
*Nunca tenham tido doenças de chagas ou malária;
*Não tenham contraído sífilis, hepatite e não tenham tido contato com o inseto barbeiro.
~Impedimentos temporários
Para não comprometer a saúde, uma pessoa não deve doar sangue se:
*Estiver grávida ou em período de amamentação;
*Tiver feito alguma cirurgia importante há menos de seis meses;
*Tiver realizado um parto normal ou tido um aborto há menos de três meses;
*Tiver feito uma doação há menos de 60 dias, se for homem, ou há menos de 90 dias, se for mulher.
E ai, estende o braço quem pode ajudar o/.
[ptc]
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Movimento estudantil: a caça às bruxas
Diante da ameaça do crescimento de outras religiões durante a idade média, a igreja católica, de modo a manter a dominação ideológica sobre a sociedade, criou o mito das bruxas. Denominava-se bruxa toda aquela mulher suspeita de cultuar deuses que não os cristãos, sendo vistas, a partir de então, como a causa de todas as mazelas que acometiam a comunidade em que viviam, pois Deus castigava a todos por causa do culto “pagão” de alguns poucos.
A carga ideológica, a endemonização do não-cristão, o mito da bruxa criado pela igreja foi tão pesado que, em dado momento, não foi mais necessário que ela perseguisse aqueles que não cultuassem os deuses cristãos. A própria sociedade enraizou em seu inconsciente coletivo esse pensamento, perseguindo e levando às autoridades religiosas aquelas que eles suspeitavam de cultuar outros deuses, matando, com isso, milhares de inocentes e provocando verdadeiro genocídio cultural.
Toda boa vontade estava presente na sociedade medieval quando tentava se livrar de tais bruxas. Em sua inocente mentalidade, manipulada pela igreja, temerosa de ver seu poder ameaçado por outros credos, combateram fortemente aquelas pobres criaturas com a esperança de livrar de suas comunidades o mal que, aparentemente, advinha da existência delas. O problema é que, sem elas, as mazelas não desapareciam...
“Filho, só vou lhe dar um conselho. Não se meta com esse negócio de movimento estudantil. Se preocupe com seus estudos.” Meu pai não foi definitivamente o autor dessa frase, dita e redita por diversos pais pelo país afora. Sim nossos pais são vítimas e não têm culpa de darem esse tipo de conselho. Não foi a toa que a ditadura militar baniu do currículo regular as aulas de sociologia, filosofia e antropologia. Tais ciências, ministradas desde cedo, têm a capacidade criar uma consciência social crítica, uma preocupação por parte do indivíduo com a sociedade e a visualização de seu papel individual enquanto agente social. A ausência delas, no entanto, substituídas então por “Estudos Sociais” e “Moral e Cívica”, causaram na maioria de nossos pais uma modificação em sua consciência social, reiterou o conceito individualista de que “melhor mesmo é cuidar da minha vida”.
Pior que isso, a ditadura, ao enxergar o movimento estudantil como uma enorme pedra no seu caminho, tratou de realizar uma verdadeira caça às bruxas pós-moderna. Não se contentou em torná-lo ilegal, como também tratou de “endemonizar” no inconsciente popular o estudante que faz movimento estudantil. É praticamente unânime no senso comum que quem faz movimento estudantil não estuda, é vagabundo, é estudante frustrado, é revoltado etc, etc, numa falácia preconceituosa tão medieval quanto pensar que a existência de adoradores de deuses não cristãos era a causa das mazelas sociais. Pelo contrário, além de ser um instrumento de evolução da sociedade, o movimento estudantil é produtor de médicos diferenciais e mais qualificados, suprindo sérias deficiências existentes em nosso currículo.
I. O movimento estudantil e a formação de médicos diferenciais
Aquele estudante que não teve aulas das ciências sociais desde sua formação básica, formando-se, assim, nessa concepção individualista e desumana – uma vez que foge à natureza do ser humano, essencialmente social - obviamente não terá disposição para estudar sociologia e antropologia na faculdade, criando toda uma geração de profissionais individualistas e dificilmente humanizados.
Em virtude disso, o currículo médico de diversas escolas nem se quer tem tais disciplinas e, quando existem, elas são tão desprezadas por alunos e até pelos professores – formados desde cedo nessa perspectiva individualista – que se tornam um absoluto desprazer ao estudante. O professor finge que ensina uma sociologia “aplicada” a medicina e o aluno finge que desenvolve sua consciência social.
Preocupado com os currículos médicos e com a baixa qualidade dos profissionais formados, muitas vezes desumanos, o MEC lançou as diretrizes curriculares para os cursos de medicina de todo o país. Segundo tais diretrizes, os cursos e faculdades de medicina devem formar profissionais com as seguintes competências:
• Atenção à saúde: O médico recém-egresso deve estar apto a desempenhar atividades de promoção, prevenção, proteção e reabilitação em saúde.
• Tomada de decisões: O trabalho do médico deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões, visando uso apropriado, eficaz e custo-efetivo daquilo de que dispõe.
• Comunicação: O médico recém-egresso deve saber comunicar-se com os pacientes, com os profissionais de saúde e com o público em geral, o que envolve comunicação verbal e não verbal.
• Liderança: no trabalho multiprofissional, os profissionais de saúde devem estar aptos a exercer posições de liderança, sempre tendo em vista o bem-estar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomar decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz.
• Administração e gerenciamento: o profissional deve estar apto a tomar iniciativa, realizar gerenciamento e administração daquilo que dispõe, do mesmo modo que deve esta apto a ser empreendedor, gestor, empregador ou liderança na equipe de saúde.
• Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, buscando o conhecimento de que necessitam.
Em síntese, é isso que a sociedade espera do profissional médico. Devemos iniciar o desenvolvimento dessas habilidades na universidade, saindo dela com uma base mínima necessária para o bom exercício da medicina. [Ou você queria que rapadura fosse doce e mole?!].
Pois bem, observemos o currículo de nossa escola e meditemos: que disciplinas de nosso curso nos ajuda a desenvolver as habilidades de:
*Tomada de decisões: [ Tomamos decisões! Letra a), b), c) ou d). Cuidado, se errar, fica de recuperação e mandamos um bilhetinho pros pais!]
*Comunicação: [Nos comunicamos de modo avançadíssimo! “Entendeu turma?” Nem respondemos! Nos ensinam telepatia no curso médico!]
*Liderança: [Desenvolvemos nossa capacidade de liderança. “Galera, vou fazer a votação da camisa da turma. Azul-bebê, ou azul-celeste?!”]
*Administração e gerenciamento: ]“E agora, uso esse dinheiro pra lanchar ou pra bater xérox do medcurso?”]
E não podia ser diferente. Aos nossos professores não foram ensinadas tais habilidades, como queremos que eles nos ensinem? Assim como não podemos culpar nossos pais por fazerem caça as bruxas ao movimento estudantil, não podemos culpar nossos professores por não nos ensinarem uma medicina mais humana e holística. E que alternativa temos pra nos formarmos médicos diferenciados? Diversas. O mais importante é que busquemos por fora aquilo que nosso currículo não nos oferece, formando-nos enquanto profissionais diferenciais.
E uma das alternativas que encontramos para isso é o movimento estudantil. Sim, os CA´s e DA´s tem papel importantíssimo na formação de médicos diferenciais, Além de exercer uma função social histórica, o movimento estudantil definitivamente nos ajuda a desenvolver nossas habilidades de Lideranças, Comunicação, Administração e Gerenciamento, Tomada de Decisões e também da Educação Continuada pois, uma vez que tomamos consciência que o curso médico por si só não nos formará médicos de qualidade, passamos a correr atrás de nosso próprio conhecimento, quebrando com a postura passiva que nos impõe a sala de aula.
Existem, é verdade, exceções: há aqueles estudantes que vêem no movimento estudantil um escapismo, uma fuga da realidade, deixando de fato de estudar, muitas vezes numa ação inconsciente, pra fazer atividades do CA; mas maior ainda é o número daqueles que deixam de estudar pra assistir ao Big Brother. Por isso, é tão justo generalizar que quem faz movimento estudantil é vagabundo quanto afirmar que todo árabe é mulçumano e que todo mulçumano é terrorista.
[PTC]
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA DOS USUÁRIOS DO HUOL
DIA 19 DE DEZEMBRO DE 2008
DAS 8h ÁS 20h30min
PÁTIO DA TAMARINEIRA
HUOL
Programação:
Dia 19/12/2008 (Sexta-feira)
08h – Abertura com café da manhã para os acompanhantes.
09h30min – Culto Ecumênico no Pátio da Tamarineira
10h30min - Apresentação cultural – Peça teatral:
Alunos da Escola Municipal
15h30min – Apresentação Cultural –
Peça teatral: Alunos da Escola Municipal
16h – Apresentação Cultural –
Teatro de Mamulengos.
19h – Exibição do filme:
Pela Companhia Teatral Cia Urbana de Arte Cinema Paratodos.
Lembramos que neste dia 19/12, teremos várias atividades durante todo o dia voltadas aos usuários.
Solicitamos aos acompanhantes, profissionais do HUOL e familiares visitantes que incentivem o paciente a participar dos eventos, preparado com todo carinho.
“Seja a mudança que você quer no mundo”
Gandhi
COMISSÃO ORGANIZADORA
Chefia da Recepção, Comunicação e Segurança.
Chefia do Serviço de Internamento
Chefia do Serviço Social
Chefia do Serviço de Nutrição
Chefia do Recursos Humanos do HUOL
Diretoria de Enfermagem
Grupo CONTAGIART (PET Medicina)
Núcleo de Humanização do HUOL
Recursos Humanos do HUOL
APOIO:
Diretoria Geral
Diretoria Administrativa
GTH HUOL
Serviço social
Téc Enf Delmira (Ambulatório de Cardiologia)
Mônica Betin (Chefia do Serviço de Informática)



